quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Poesia cárcere

Por prestar atenção nas tuas palavras
Por questionar se teu verbo é fato ou fachada
Por buscar a essência do teu discurso
Por bater na porta mesmo que aberta

Tu me taxas de poeta
e exige que eu redija o meu destino.

Pois bem,
de vingança eu te faço minha musa.
Se preso estou neste trajeto,
perto estás, mas por trás de minha blusa.

E enquanto o teu dedo me acusa
Minha poesia te encarcera.
Tua liberdade tem rima e verso
No meu peito, a tua cela.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Au revoir, Auf Weidersehen

O sol nasce e eu deveria acordar com ele.
Mas eu estou de pé desde o seu último levante.
Pois antes que ele me pegue de olhos abertos
vou deitar. E embora o sono me faça dormir,
meus sonhos continuarão despertos.

O sono ao lado, o sono em mim

O meu amor dorme ao meu lado.
Seu sono pesado não atrapalha o meu dever.
Sou um poeta insone e meu serviço não tem hora ou lugar.

O meu amor sonha aqui pertinho.
E espero que não seja pesadelo o seu silêncio.

Dormindo eu penso e escrevo em pensamento.
Acordo já com poemas e canções.

E quando durmo ao lado do meu amor
não sei o que causo.

A minha vigília não fecha os olhos.
Meus sonhos são todos acordados.
E também meus pesadelos.

Eu tenho um amigo

Eu tenho um amigo que é muito misterioso.
Cada passo seu é um segredo.
Cada fala uma charada.
E me pergunto se meu amigo
é aprendiz de esfinge.

Eu tenho um amigo que às vezes some.
Cada passo seu não deixa rastro.
Cada fala parece um sussurro.
E me pergunto se meu amigo
de propósito se esconde.

Eu tenho um amigo que é poeta.
Cada passo seu é um verso.
Cada fala uma entrelinha.
E me pergunto se meu amigo
me escreve ou me lê.

Sous les ciel de Paris

Dos telhados de Paris
dá pra ver a Torre Eiffel.
Nem de todos os telhados,
é claro.

Dos telhados de Paris
eu vejo outros telhados,
vejo as ruas,
vejo as praças.

No inverno
eu vejo a neve
nos telhados de Paris.

Eu vi.
E me lembro muito bem.
E lembro do quanto eu me diverti
numa sacada de um telhado em Paris.

Ai, saudades do frio e da fumaça,
do queijo, do papo e da cumplicidade.
Irmã querida,
nossa queda na rua e na neve ...
Eu lembro e sorrio.
Eu lembro e choro.
Eu lembro e sinto o frio
daquela noite onde todos estávamos felizes.

Ah, os telhados de Paris ...
Que saudade!

domingo, 13 de novembro de 2011

Judy - O Fim do Arco-íris


Para mim, assistir um espetáculo com o selo Möeller e Botelho é garantia de que coisa boa vem pela frente. A qualidade do trabalho dessa dupla e sua equipe é de levantar o chapéu. Mas, eles nunca caem no fácil. A cada novo projeto eles mostram que estão prontos para a ousadia. Eu me pegava pensando: Avenida Q e seu politicamente incorreto vai assustar o público?; Gypsy, com referências tão americanas vai dar certo aqui?; José Mayer para o protagonista de Um Violinista no Telhado? E no fim cada peça era um sucesso maior que o outro.

Quando eles anunciaram a montagem de Judy - O Fim do Arco-íris no Brasil eu fiquei em polvorosa! Pesquisei e vi cenas da montagem em Londres. A atriz dava um show de performance. Que desafio de fazer um espetáculo digno de Miss Garland. E ainda tem o público que não a conhece ou reconhece a figura mas não conhece a história de vida dela.

Não faz mal. Peter Quilter escreveu uma peça bem amarrada, com personagens firmes no enredo e diálogos primorosos. As cenas de Judy são um turbilhão de emoções.


Igor Rickli faz Mickey Deans e defende o seu personagem enquanto muitos na plateia queriam vê-lo o mais longe possível de Judy. Ele nos tira de nosso lugar de julgadores e traz a dúvida. Talvez ele tenha feito por amor?

Gracindo Júnior foi a grande surpresa da noite. Não que seu talento e capacidade estivessem em questionamento. Mas não imaginei que num palco onde Judy Garland estivesse outro personagem poderia brilhar. O seu Anthony é lindo! A luz e a cor que a vida de Judy tanto precisava. O amor incondicional dos seus fãs estava ali naqueles gestos gentis, olhar sincero e taça de vinho tinto.

Claudia Netto. Seu nome deveria bastar. Escrever sobre a sua performance é difícil. Se usarmos todos os adjetivos que denominem a perfeição, ainda não seremos dignos de classificar o seu trabalho. Que entrega! Se jogar nessa cova dos leões é para quem pode. Interpretar Judy Garland não é tarefa fácil. E ela faz isso com uma força única. Seu corpo e sua voz desenham Dorothy, a Vicky Lester, a Hannah Brown, a Manuela ... a Frances Ethel Gumm. E sua redenção na canção final é a certeza de que estamos em frente a uma estrela (representada e representadora).

Charles Möeller e Claudio Botelho. Será que ainda há o que dizer sobre o que vocês fazem sobre um palco? Muito obrigado. É sempre um arrebatamento assistir ao que vocês fazem. E esse agradecimento vai também para toda a equipe de vocês. Cenógrafos, figurinistas, técnicos e aos músicos! Sempre de primeira qualidade e essenciais para o gênero.

E ficam os meus emocionado relato e fervorosa indicação. Siga a estrada de tijolos amarelos e corra para o Teatro Fashion Mall. Judy - O Fim do Arco-íris está em cartaz quinta às 18h – R$ 80,00 sexta às 21h30 – R$ 80,00 sábado às 21h, domingo às 20h – R$ 100,00 Temporada: 11 novembro de 2011 a 12 de fevereiro de 2012 Teatro Fashion Mall (21) 2422-9800/3322-2495, terça a domingo, das 15h às 20h.