terça-feira, 2 de outubro de 2012

A moça do i-phone de pérola


Existia uma mulher que muito queria, mas pouco oferecia.
Nunca perguntava "Oi, você vai bem?"
ou "Como foi o seu dia?".

Mas essa mulher, sem muito interesse em minha vida,
mantinha sua vigília sobre os meus passos e sentidos.

Um dia, pelo bosque, enamorei-me de um rapaz.
Tão belo de atitudes e de palavra tão voraz.

Mas eu, peça de decoração na sala de artefatos dessa mulher,
fui impedida de seguir com o jovem de braços abertos.

Como me libertar do art-déco quando meu coração quer art-nouveau?

Eu ficava tão confusa que caia em prantos e delírios.
E ela ria. A má, ria, nefanda e maquiavélica.

Busco nos meus gritos sufocados a libertação de madrugadas cheias de gente em volta,
mas vazias dentro de mim. Para um abraço entre dois, porém que me preenche como nunca antes vivi.

Existia uma mulher que muito queria, mas pouco oferecia.
Existia uma rapaz que muito oferecia, e pouco esperava.
Existia eu, que tanto queria, mas só decorava.