segunda-feira, 8 de junho de 2015

Myanmar não tem palmeiras

Há um país chamado Myanmar
E sei que nem lá me amam
Ok, o trocadilho não é dos melhores
Mas piores são os nomes a que me chamam

Um passarinho contou-me teus novos passos
E os espaços onde alcanças novos vôos
E que estão cada dia mais escassos
Os abraços que já foram de amor

E se achas que eu espero o teu retorno
Faz favor, não me faça rir assim
É estorvo esperar que aqueça o morno
Quando o fogo não degela o que há em mim

Logo, lance teu olhar a outros corpos
Eu estou trancado e protegido
Tuas juras velejam novos portos
Teu sabor não me é mais permitido

Adeus, doce lembrança meio amarga
Vou partir em busca de outro lar
Vou seguir nova rota firme e larga
Estou só de ida à Myanmar


Aos versos insones

Não me vem a inspiração
Não sei se por falta de musas
Não sei se por alto nos muros
Onde guardam os versos e as lamúrias
Não encontro como por em palavras as dores e os dias
Traduzir no verbo o que sangra a carne
É tarefa de artesão
Mas tenho me descoberto um comerciante
E a poesia não admite escambos
Noites insones
Dias insossos
E nada de novo no reino da Dinamarca
Escrever ou não escrever?
Eis a canção.