sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Valsa Paternal

Papai,
eu não te mereço.
Eu nem te conheço,
talvez nem ninguém.

Papai,
não te desmereço.
E guardo o apreço
que a mim me convém.

Papai,
verei se apareço
em teu novo endereço
no ano que vem.

Papai,
eu quase me esqueço
que já envelheço.
Não sou mais neném.

Papai,
não me reconheço,
virei do avesso.
Virei um outrem.

Papai,
após um tropeço
ganhei adereço:
um título além.

Papai,
não sabes o preço
que custa um berço ...
tá pra mais de cem.

Papai,
eu sei que me queixo
mas abaixo o queixo
e peço por bem.

Papai, por favor,
não vá embora,
pois eu, agora,
sou um pai também.