sábado, 5 de setembro de 2009

Imensamente

Hoje, na aula, ele passou a mão nos seus cabelos. Você nada fez; nada fez a ele. Mas em mim você fez rachaduras. Cada vez que ele passava a mão por seus cabelos meu coração sangrava laminado. Sim, eram as lâminas da tua beleza rascante que a todos seduz.
Mesmo sentindo ódio por ele, sou obrigado a perdoá-lo. É natural que o homem sucumba aos teus encantos. Nossas mãos clamam os seus cabelos como se eles fossem um mar cheio de sereias que cantam e levam o pobre pescador às profundezas de sua perdição. E, além de perdoá-lo, eu o admiro. Ele passou a mão nos seus cabelos. E eu que nem isso!? Pois só de pronunciar o teu nome meus lábios tremem em calafrios, como se um nome sagrado eu tivesse dito em vão. Esse teu nome santo de Deusa. Deusa à que esse teu servo não é digno de sacrificar-se. Mas sou capaz de entregar-me às tuas vontades. Ouso querer ser-te necessário. Quem sabe assim me permitas fazer parte dos teus caminhos.
Hoje, quando ele passou a mão nos seus cabelos, quando senti um imenso ódio e uma imensa dor, descobri que para mim não há mais fuga. Eu te amo imensamente e tudo o que eu quero é te abraçar, te beijar e passar a mão nos seus cabelos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

És belo, és forte, és risonho e límpido

Sei que todo mundo já viu, já ouviu, já fofocou, mas não resisti! Posto aqui o vídeo da cantora Vanusa cantando, em março deste ano, o Hino Nacional Brasileiro sob efeito de calmantes (segundo a mesma, que se defendeu nesta terça, desmitificando a hipótese de estar sobre o efeito de álcool ou drogas ilícitas).

Com o sucesso do vídeo, criaram o site Vanusator que faz uma versão risonha e límpida da sua canção favorita!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Hoje eu to de Chico!

Começo hoje uma seção homenageando a genialidade do compositor Chico Buarque de Hollanda.

O que mais admiro em seu trabalho é a sua versatilidade. Nesse sentido, sou apaixonado pelo trabalho dele e de Stephen Sondheim. Agora, de tempos em tempos estaremos de Chico, apreciando a sua arte.

Olhos nos Olhos
Intérprete: Maria
Bethânia


Tatuagem
Intérprete:
Elis Regina


Atrás da Porta
Intérprete:
Elis Regina


Palavra de Mulher
Intérprete:
Alessandra Maestrini


Basta um Dia
Intérprete:
Bibi Ferreira


Umas e Outras
Intérprete: Clara Nunes


É bom ou não é?

Olha essa voz!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

1 ano de DesConstruções

Só posso agradecer a todos vocês. Qualquer coisa escrita aqui ainda será pouco para demonstrar a minha gratidão. Obrigado pelas DesConstruções durante esses 365 dias!

E que venham muito mais!

Se ainda me amas

Hoje, ao acordar,
te perguntei se ainda me amas.

Teu silêncio foi fatal.

Tuas pálpebras se quer se moveram,
não vi hesitação em teu olhar.
A frieza do teu silêncio congelou minhas fantasias.
Meus sonhos caíram cobertos de neve no tapete
e rolaram para cima do chão gelado.
Esqueci de acender a lareira esta noite.

Tentei penetrar-te com o meu olhar.
Minha dor era agora minha arma
e eu quis te ferir.
Perguntei se me amas
e nada disseste.
Teu corpo não se enroscou no meu
e nem tremeu de cólera.
Teu silêncio foi fatal.
Te fitava na esperança de uma reação.
Acordei pra quê?
Fui despertado mas não acordei do pesadelo.
Me amas ou não?
Vai me expulsar da tua cama
ou me puxar pra dentro dos teus seios?

De repente, rompes o silêncio.
Você se levanta e vai direto pro banheiro.
Será que achou minha inanição fruto do desespero
ou já me fez passado na tua história?
Quando saíste, veio em minha direção,
olhou fundo nos meus olhos - vasculhando-me e encontrando um eu
que eu mesmo desconheço - e me perguntou:
- Ainda me amas?

Após o nosso beijo,
durante nosso amor nos lençóis,
banhados pelo sol de primavera,
pensei comigo e decidi:
nunca mais te faço perguntas
enquanto dormes.

Partida certa

Desce até o jardim.
Vim até aqui implorar-lhe o beijo de despedida.
Venha até a mim
e me dê a certeza que é hora da partida.

Pela janela do teu quarto sinto o teu movimento e
presencio a tua vontade de não me ver.
Pelo visto, fui tomado pelo teu esquecimento,
fui banido do teu bem-querer.

Não desceste até o jardim.
Não faz mal, Estela, não faz mal.
Agora que não me queres,
me tornaste o teu igual.

Agora parto em fuga das tuas ideias.
Parto pra nunca mais te ver.
Parto e vou-me contente.
Parto pra não ser você.

Igual somos no mesmo desejo.
Tu não me queres,
e eu não quero mais te querer.

Somos iguais no mesmo desejo.
A mim não vieste,
ao jardim não desceste.
É minha hora de partir.

domingo, 30 de agosto de 2009

Nos amamos em silêncio

Nos amamos em silêncio;
Em silêncio para não despertar as testemunhas;
Testemunhas que dormem inocentes;
Inocentes do que acontece à sua volta;
À sua volta estamos nós;
Nós que tanto nos amamos;
Nos amamos em silêncio.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Madrugada minha

Madrugada, minha amiga
acuda-me mais uma vez!
Sairei na rua desnudo
e preciso que me escondas um segredo.

Madrugada, madrugada
seja tu a confidente
e guarda contigo
as verdades reveladas.

Madrugada, minha amiga
não permita que os meus mistérios
se revelem pelos becos.
Mesmo no breu tem gente,
e essa gente é gente perigosa.
Não me exponha aos noturnos e balbúrdios.

Madruga, madruga
és tu minha única salvação!
Protege, esconde e guarda
tudo o que a ti entoei.
Meus versos são teus madrugada,
não revela o meu segredo
aos primeiros raios de sol.

Judy, Liza & Babs


Não conheço muitas pessoas com um gosto tão eclético como o meu. Adoro a minha diversidade! Mas não foi sempre assim ... Durante muito tempo tive receio de gostar de alguns artistas. Sabe, todo mundo sempre acha que eu sendo um garoto-que-não-gosta-de-futebol-e-toca-piano-gosta-de-teatro-e-musicais sou, consequentemente, gay. Pelo menos nunca tomei isso como ofensa, pois isso não é uma coisa ruim. O chato era quando eu me interessava por alguma menina e lá ia eu mostrar que gosto é de mulher, rs. Portanto, para diminuir esses falatórios, me privei de conhecer artistas como Judy Garland, Liza Minneli e Barbra Streisand. Todas eternas divas do cinema e da música estadunidense. Retardei o máximo que pude, mas ...

A primeira que apareceu foi Judy Garland. Linda, olhar inocente, voz arrebatadora. Sua interpretação eleva as músicas. Não há como não se apaixonar por esta mulher, que cresceu aos olhos do público e se tornou eterna graças ao cinema. Seus filmes são garantia de diversão e emoção, sem sombra de dúvida. Abaixo seguem três momentos que selecionei da carreira dela: um singelo, um cômico e um maduro, mostrando várias facetas do seu talento de atriz e cantora (resumindo a grandiosidade de uma performer).

Over the Rainbow - O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939)


A Couple of Swells - Desfile de Páscoa (Easter Parade, 1948)



The Man That Got Away - Nasce Uma Estrela (A Star is Born, 1954)


Depois veio Barbra Streisand. Babs, para os íntimos, rs. Lembro-me bem de quando eu passava nas Lojas Americanas e evitava comprar o dvd do filme Alô, Dolly! (Hello, Dolly!, 1969). Quando enfim comprei me arrependi de não tê-lo feito antes! Como ela é engraçada! E que voz! Magnífica essa mulher. Ainda hoje faz shows, mas nem faz mais tantos filmes. Sua última aparição foi em Entranto Numa Fria Maior Ainda (Meet the Fockers, 2004). Ela transforma as canções em obras-primas. E ainda é uma compositora de mão cheia. Isso deixando de fora sua ousadia em, de estrela ganhadora do Oscar de melhor atriz Funny Girl e , mais tarde, de melhor canção original pela melodia de Evergreen (do filme Nasce uma Estrela de 1076), se tornar produtora e diretora premiada. De Babs poderia deixar inúmeros vídeos, mas me contentarei com poucos, rs.

People - A Garota Genial (Funny Girl, 1968)


Don't Rain on My Parade - A Garota Genial (Funny Girl, 1968)


Papa, Can You Hear Me? - Yentl (Yentl, 1983)


Evergreen - Nasce uma Estrela (A Star is Born, 1976)


Bom, Judy e Barbra são divas muito queridas do público gay. Eu diria que Barbra é até mais do que a Judy. Mas, de todas elas, é mais do que verdade que a grande rainha é Liza Minnelli. Também, né!, sendo filha da Judy ... Por isso eu relutei muito para assistir alguma coisa com ela. Era óbvio que o filme em questão seria Cabaret, de 1972. Esta película, dirigida por Bob Fosse, ganhou alguns Oscars, incluindo melhor diretor, atriz e ator coadjuvante. Logo, era de extrema importância assistir Cabaret - era, mais do que tudo, uma necessidade para a minha condição de cinéfilo e amante dos musicais. Quando enfim assisti, fui arrebatado. As perfomances de Liza neste filme são simplesmente fantásticas! A música de Kander & Ebb parece que foi feita especialmente para sair com a sua voz. A interpretação sensual e marota de Liza nos seduz, nos enlaça, nos prende e agora não há mais fuga.

Mein Herr - Cabaret (Cabaret, 1972)



Money, Money - Cabaret (Cabaret, 1972)


Cabaret - Cabaret (Cabaret, 1972)


New York, New York - New York, New York (New York, New York, 1977)


Então... em homenagem aos heterossexuais que são apaixonados por Judy Garland, Barbra Streisand, Liza Minneli, Billie Holliday, Ella Fitzgerald, Aretha Franklis, Elis Regina, Maria Bethânia, Nana Caymmi, e todas essas mulheres maravilhosas que cantam e encatam, fica um grande abraço!

E lembre-se: Life is a Cabaret, old chum! Life is a Cabaret!

P.S.: Deixo pra finalizar um vídeo da Barbra de da Judy cantando juntas no programa que a Judy tinha na TV estadunidense e mais um de mãe e filha se apresentando lado a lado!

Get Happy
/ Happy Days Are Here Again


Hello, Dolly!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Eu e Harry


Há pouco mais de um mês adentrei o mundo de Harry Potter. Mesmo sendo um apaixonado pelas histórias que tratam de bruxas, fadas e outros seres mágicos, não imaginei que me apaixonaria tanto pela história.
Em sete livros, a autora J. K. Rowling, nos leva calmamente a acompanhar a vida deste menino que um dia derrotou o Lord das Trevas. Livro a livro, somos levados a crescer, a amadurecer passo a passo com o bruxinho.
Seus amigos inseparáveis, seus inimigo, seus colegas de escola, seus professores e seus parentes são elementos fundamentais para sua vida e para a história, é claro. A cada aventura e aprendizado os personagens da série parecem emergir das folhas de papel e acarinhar-nos com as palavras contidas nas páginas. Aprendi a amar um ser ficcional.
Quando minha namorada, que me apresentou aos livros, escrevia em seu blog ou msn que é "viúva" de Fred Weasley eu ria e achava uma bobagem, uma exagero. Mas, hoje, sou obrigado a pagar com minha língua: me apaixonei pela jovem Luna Lovegood! Cada frase dita pela personagem é um deleite para o leitor.
Pois bem, e do que valeu ler os livros? Sinceramente, não esperava grandes reflexões. Foi grande a surpresa quando, ainda no primeiro livro, bastante infantil em relação aos três últimos, me vi chorando, e nem foi por uma momento de grande emoção na história. Depois voltei a chorar só no sexto livro com o enterro de Dumbledore, e no sétimo com o enterro de Dobby e a volta dos pais de Harry, Sirius e Lupin. Enfim, não posso negar que o livro permite muitas reflexões. Talvez por ser um livro, um objeto quase mágico (!) que sempre nos permite viajar e mesclar a saga de Harry Potter com as nossas próprias vivências. Me vi um Rony no seu humor bobo e medos infantis; me vi Hermione no seu amor pelo conhecimento e luta pelos privados de direitos; me vi um Neville na sua reclusão e carinhos com aqueles que dão valor a ele; me vi Gina na sua esperança; me vi Luna na sua ingenuidade e loucura; me vi Alvo no seu egoísmo adolescente e na sua ambição por glória; me vi Miverva no seu humor ácido e desprezo sutil; me vi Severo na sua capacidade de esconder seus sentimentos; e acho que fui Harry em cada página. Creio que a autora quis que isso acontecesse, que nós sentíssemos as dores e as alegrias dele. Crescemos com ele em cada livro.
Ainda é muito cedo para dizer mais. Creio que ler os sete livros como numa maratona não me permitiu perceber coisas ainda desconhecidas nas páginas da saga. Terei que ler novamente cada livro, me deliciar mais com as palavras e sentimentos de cada um. Inclusive de Tom Riddle, uma persona nada desprezível.
Quando eu ler mais umas 5 vezes cada livro poderei voltar e fazer jus ao meu ego, rs. E tentar pensar mais em outras possibilidades como a que - despreze meus devaneios - as Horcuxes são a passagem de Harry para a vida adulta. Ele as destrói e ao fim dessa missão se torna um homem pronto para a vida que o espera.

Ai, ai ... deixo, pra terminar, uma frase dita pelo sábio e super bem-humorado Albus Dumbledore: "Claro que está acontecendo em sua mente, Harry, mas por que isto significaria que não é real?"

Para saber mais sobre Harry, seus livros, filmes e tudo o mais que estiver a ele relacionado, clique aqui.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Porque são pedras


As pedras só são pedras porque somos homens.

Se fôssemos vidro, as pedras seriam algozes.

Se fôssemos fogo, as pedras seriam progenitores.

Se fôssemos água, as pedras seriam vítimas.

Se fôssemos rochedo, as pedras seriam lágrimas.

Se fôssemos pedras, delas seríamos irmãs.

Mas somos homens
e por isso as pedras são só pedras.

sábado, 22 de agosto de 2009

Carícias

Não são palavras que me prendem na tua boca.
Aliás, poucas são as palavras que dizes.
És uma mulher de ações, de atos.

Aja então mulher!
Faz em mim a jornada do teu prazer.
Percorra em mim os caminhos,
desbrava a mata densa,
mas cuidado com as feras que ela esconde.

Na tua jornada é bom ser cautelosa.
Sei que nada temes, mulher,
mas tome cuidado.
Confias mesmo no monstro que te protege?
Ouve bem o que digo: teu monstro pode te trair!
Ele e a fera que habita as matas estão mancomunados.

Usa das armadilhas que conheces,
usa as mesmas que usou comigo!
São eficientes, e sabes disso.
A fera da mata não tem defesas às tuas arapucas.

Assim, irá dominá-la como estou hoje eu.
Me mordeu, me arranhou, me tomou como seu.
Use as tuas armas, mas não use palavras.
Não foram elas que te fizeram mulher.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Alvos, erros e escrúpulos

O livro errara o alvo. Acertou o abajour que ele lhe dera - agora estava partido em pedaços. Era um objeto frágil. Mas não tão frágil quanto a pobre Marília. Há pouco mais de duas horas sua vida poderia ser classificada como estável, correta, e, segundo ela própria, feliz.

Marília era noiva de Eduardo. Estavam juntos há 6 anos, 11 meses e 19 dias, assim ela contava. Ela, terminando a faculdade de Serviço Social; ele, vice-presidente de uma cooperativa de vans.
Desde que noivaram, há 8 meses, que ela se via nas nuvens. Não sabia como era capaz de amá-lo cada dia mais.

Sua cunhada, Gabriela, foi quem os apresentou no aniversário de um amigo. No início eles pareciam não ter muitos assuntos em comum. Eduardo não achou isso ruim, foi o que, na verdade, fez com que ele a beijasse mais depressa, pulando a parte da "conversa sobre filmes e músicas".

A distância de interesse fez com que um tivesse mais fascínio pelo mundo do outro. E eles se tornaram um casal feliz, bem visto por todos e de futuro promissor. Só que tudo isso se ruíra. Saindo mais cedo da faculdade, Marília decidiu fazer um surpresa para Eduardo e resolveu aparecer na cooperativa. Esperava vê-lo e fazer sexo sobre a sua mesa. Ela sabia que ele adorava esse encontros adrenalíticos. Mas a surpreendida foi a pobre Marília. Ao abrir a porta da sala de Eduardo ela se deparou com algo que preferia nunca ter visto. Eduardo estava sobre Gabriela que, por sua vez, tinhas as pernas enroscadas na cintura dele. O barulho da porta e a o rosto estupefato de Marília fez com que os casal interrompesse o ato.

Marília fechou a porta e saiu correndo para a sua casa. Esperou sentada na poltrona diante sua estante de livros e esperou. Sabia que em poucos minutos Eduardo iria entrar e começar a se explicar. Ela sabia que aquela cena tinha um explicação plausível.

Uma hora e trinta e sete minutos, contados por ela, depois, ela ouviu o barulho da porta da sala. A voz de Eduardo chamava o seu nome. Ela voltou a chorar. Ele foi até a outra sala e a viu na poltrona. Ela o olhou e seus olhos imploravam que tudo não passasse de um desengano. Ele molhou os lábios, ela percebeu que ele iria falar.

- Ah, amor. Me perdoa. Foi coisa de homem ... você sabe como é.

Ela simplesmente não acreditou. Era como se uma outra pessoa estivesse falando com a voz do seu noivo, como se a imagem fosse a mesma, mas a essência de um outro alguém. Eduardo a fitou por alguns segundos e, quando ela se levantou, nunca poderia ter imaginado que Marília, cujo temperamento era igualado ao de uma brisa, pudesse emergir em tamanha fúria. Ela o xingou de nomes que ele mesmo se perguntou se já ouvira. Começou a arremessar o que estivesse ao alcance de sua mão. E gritava:

- Porquê? Porquê você fez isso comigo? E como vou contar isso ao meu irmão? - e arremessou contra ele o porta-retrato com a foto de seu aniversário de 3 anos de namoro.

Eduardo defendeu seu rosto com os braços e, mergulhado numa frieza pertubadora, caminhou até Marília e jogou-a na poltrona. Mirou os olhos bem fundos nos dela e falou:

- Se você não pode aceitar uma traiçãozinha de nada, sem sentimentos, então é mais ingênua do que pensei. Depois de tanto tempo de namoro já era pra você ter percebido que relacionamentos não são como nas novelas ou nos filmes. Me desculpe, Marília, mas eu não tenho os seus escrúpulos.

Ele deu as costas e foi andando em direção à porta. Marília pegou um livro atrás dela, na estante, e tacou em Eduardo, mas errara o alvo. Acertou em cheio o abajour que ele lhe deu quando fizeram um mês de namoro sério.

Marília errara o alvo. Caiu no chão, aos prantos - seu coração estava em padaços. Era uma mulher muito frágil. Mas não tão frágil quanto um abajour.

domingo, 16 de agosto de 2009

Atos falhos

Não é nada disso ...

Quando falei fome, quis dizer Maria.
Quando falei ontem, quis dizer bom-dia.
Quando falei esqueça, quis dizer que eu já sabia.

Quando falei agora, quis dizer saudade.
Quando falei embora, quis dizer covarde.
Quando falei fora, quis dizer unidade.

Quando falei paixão, quis dizer cebola.
Quando falei João, quis dizer papoula.
Quando falei que não, quis dizer ampola.

Quando falei aquilo tudo,
foi por falar.
Não guarde aquelas palavras.
Aquelas, deixe o vento levar.

Foi o meu inconsciente roto,
despreparado para a ocasião.
Atos falhos, meu bem, quase nada.
Atos falhos que rolaram a escada
e, com um baque, bateram em meu portão.