Dea deitada vendo o filme.
O tempo passa.
No filme o homem viaja no tempo.
Dea viaja vendo o filme.
Com o tempo o sono passa.
Dea deitada vendo o tempo.
O filme passa.
No filme o homem viaja no tempo.
Dea viaja vendo o filme.
Com o tempo o filme passa.
Dea deitada vendo o homem.
O sono passa.
Na vida o tempo passa o homem.
Dea acorda.
Acabou o filme.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Sou, em um ato
A arte pulsa e jorra da fonte do desejo.
Meu complexo de édipo se amamenta da coxia.
Os três sinais são anjos anunciadores.
Meu pai é o som que vem da platéia.
Eu sou um movimento e uma palavra,
sou um corpo e um sentimento,
sou tantos que nem me aguento
de estar apenas um.
A arte pulsa e jorra desejo da minha fronte.
Caem as máscaras.
Visto as que convém.
Quem me chama pelo nome
esquece que estou muito além.
Eu sou um movimento e uma palavra,
sou texto, imagem e som.
Sou um corpo e um sentimento,
sou do palco e este é meu dom.
A arte pulsa e jorra do meu corpo.
O palco é meu desejo.
A coxia meu unguento.
Sou ator, cria de dores;
sou ator, banco de amores;
sou ator, irmão dos atores.
Meu complexo de édipo se amamenta da coxia.
Os três sinais são anjos anunciadores.
Meu pai é o som que vem da platéia.
Eu sou um movimento e uma palavra,
sou um corpo e um sentimento,
sou tantos que nem me aguento
de estar apenas um.
A arte pulsa e jorra desejo da minha fronte.
Caem as máscaras.
Visto as que convém.
Quem me chama pelo nome
esquece que estou muito além.
Eu sou um movimento e uma palavra,
sou texto, imagem e som.
Sou um corpo e um sentimento,
sou do palco e este é meu dom.
A arte pulsa e jorra do meu corpo.
O palco é meu desejo.
A coxia meu unguento.
Sou ator, cria de dores;
sou ator, banco de amores;
sou ator, irmão dos atores.
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sábado, 24 de agosto de 2013
Narcolepsia programada
São despertos os infantes
de seus sonhos imorais?
Se espertos os infantes
não despertam nunca mais.
de seus sonhos imorais?
Se espertos os infantes
não despertam nunca mais.
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sexta-feira, 2 de agosto de 2013
De que adianta ser poeta
Falo, escrevo, rimo.
O verbo e o verso eu muito primo,
mas nem só de poema vive o homem.
Talvez com as palavras eu me esquivo
do que é preciso ser mais cativo:
a ação.
Ora, de que adianta ser poeta
se na hora que o espeto espeta
não é poesia e sim o passo a frente
que faz o corpo deixar de estar rente
à dor, ao sangue e à cicatriz?
Ora, que é preciso mover o corpo.
Usar as mãos além do esforço
de criar sobre o papel.
É preciso estar vivo fora do verso.
O poeta já é réu confesso
mas sua escrita não pode ser prisão.
Pois então eu me liberto.
O caderno continua aberto,
pronto para eu escrever.
Mas pronto eu também me ponho
transformando em ação o sonho,
transformando o verso em viver.
O verbo e o verso eu muito primo,
mas nem só de poema vive o homem.
Talvez com as palavras eu me esquivo
do que é preciso ser mais cativo:
a ação.
Ora, de que adianta ser poeta
se na hora que o espeto espeta
não é poesia e sim o passo a frente
que faz o corpo deixar de estar rente
à dor, ao sangue e à cicatriz?
Ora, que é preciso mover o corpo.
Usar as mãos além do esforço
de criar sobre o papel.
É preciso estar vivo fora do verso.
O poeta já é réu confesso
mas sua escrita não pode ser prisão.
Pois então eu me liberto.
O caderno continua aberto,
pronto para eu escrever.
Mas pronto eu também me ponho
transformando em ação o sonho,
transformando o verso em viver.
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segunda-feira, 8 de julho de 2013
Semente regada; flora justiceira
Você dorme chorando.
Você acorda chorando.
Dói acordado.
Dói sonhando.
Você faz silêncio,
mas o grito ecoa por dentro.
Você fica distante,
mas sente falta do perto e do rente.
Plantou, colheu.
Frutos, flores ou espinhos.
Você acorda chorando.
Dói acordado.
Dói sonhando.
Você faz silêncio,
mas o grito ecoa por dentro.
Você fica distante,
mas sente falta do perto e do rente.
Plantou, colheu.
Frutos, flores ou espinhos.
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sábado, 1 de junho de 2013
(ré)gurg(ito)s
é pau é pedra é o fim do caminho. o método é este ou não o há? tudo fadado? tá certo? tá fechado? tá aberto? nada certo. tudo torto. doente. doente.
ainda somos os mesmos e vivemos. pra quê? não adianta viver como eles, como qualquer outro ou como o que nem ainda veio. tudo fadado? todo fodido.
ainda somos os mesmos e vivemos. pra quê? não adianta viver como eles, como qualquer outro ou como o que nem ainda veio. tudo fadado? todo fodido.
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
Todo o planejamento
Eu gritei por socorro.
E ouvia a resposta:
não posso. não posso.
Eu gritei por ajuda.
E ouvia a resposta:
não dá. quem sabe depois.
Eu gritei por caridade.
E ouvia a resposta:
não tenho como.
Eu gritei por solidariedade.
E ouvia a resposta:
se esforce mais.
Eu gritei por clemência.
E ouvia a resposta:
isso é pedir muito pra mim.
Eu gritei por alguém.
Socorro! Socorro!
Uso a voz. Preciso da sua mão.
Eu vi as costas.
Eu gritei.
Não posso. Depois é demais pra mim.
Eu gritei. Eu gritei. Eu gritei.
Eu gritei por você.
E ouvi a resposta:
Desligado ou fora da área de cobertura.
E ouvia a resposta:
não posso. não posso.
Eu gritei por ajuda.
E ouvia a resposta:
não dá. quem sabe depois.
Eu gritei por caridade.
E ouvia a resposta:
não tenho como.
Eu gritei por solidariedade.
E ouvia a resposta:
se esforce mais.
Eu gritei por clemência.
E ouvia a resposta:
isso é pedir muito pra mim.
Eu gritei por alguém.
Socorro! Socorro!
Uso a voz. Preciso da sua mão.
Eu vi as costas.
Eu gritei.
Não posso. Depois é demais pra mim.
Eu gritei. Eu gritei. Eu gritei.
Eu gritei por você.
E ouvi a resposta:
Desligado ou fora da área de cobertura.
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terça-feira, 9 de abril de 2013
Diz o ditado
Diz o ditado: o bom filho a casa torna.
Mas todo aquele que retorna
é realmente bom?
Tanto tempo que não encontro.
Senti falta da página em branco,
da infinitude de palavras.
E chego sem estrondo
pois o tempo brando
por vezes carrega vis clavas.
Diz o ditado: água mole em pedra dura
tanto bate até que fura.
Mas
o que fora a pedra antes da enxurrada?
O que é o papel antes da poesia?
O que é a poesia antes do poeta?
Poeta bom é o que fura, é o que fora,
é o que fere ou o que finda?
Quando não há respostas ou ditados
eu torno à página em branco e
tanto escrevo até que fujo.
Mas todo aquele que retorna
é realmente bom?
Tanto tempo que não encontro.
Senti falta da página em branco,
da infinitude de palavras.
E chego sem estrondo
pois o tempo brando
por vezes carrega vis clavas.
Diz o ditado: água mole em pedra dura
tanto bate até que fura.
Mas
o que fora a pedra antes da enxurrada?
O que é o papel antes da poesia?
O que é a poesia antes do poeta?
Poeta bom é o que fura, é o que fora,
é o que fere ou o que finda?
Quando não há respostas ou ditados
eu torno à página em branco e
tanto escrevo até que fujo.
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sábado, 23 de fevereiro de 2013
Como estais?
Esgotado
Esvaído
Completamente consumido
Dragado
Moído
Convenientemente esquecido
Descartável
Postergado
Facilmente posto de lado
Olvidável
Ultrapassado
Categoricamente soterrado
Esvaído
Completamente consumido
Dragado
Moído
Convenientemente esquecido
Descartável
Postergado
Facilmente posto de lado
Olvidável
Ultrapassado
Categoricamente soterrado
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sábado, 19 de janeiro de 2013
Invasão de propriedade
Eu estava sozinho, calado,
protegido da fúria e do calor
que só o amor carrega.
Você veio e feito tributo
jogou o meu silencioso viver
às garras e presas de uma nova cor.
Minha vida tão bege já não é mais uniforme.
Possuo agora novos edros;
não caibo mais na velha casca.
Não pense em correr.
Você invadiu o meu tédio.
Já não há retorno para o velho eu.
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Chegar no lugar que é lar
Corri, suei, cheguei.
Lutei contra o trânsito, contra o tempo,
contra os contratempos.
Cheguei.
E onde estás?
Deparo-me com as portas fechadas.
Trancadas.
Cadeados e alarmes.
Não me queres.
Vou.
Corro, suo, chego.
A casa não é mais a mesma.
Está aberto, escancarado,
sem cacos de vidro no muro.
Mas você não está aqui.
Corro, suo, fujo.
Não quero lugar que não seja lar.
Não quero ilha nem muralha.
Quero o metro quadrado que habitas.
E onde é isso?
Diz que eu vou correndo,
sem medo do suor,
sem olhar pras horas.
Diz que eu chego,
se é lá que você está.
Lutei contra o trânsito, contra o tempo,
contra os contratempos.
Cheguei.
E onde estás?
Deparo-me com as portas fechadas.
Trancadas.
Cadeados e alarmes.
Não me queres.
Vou.
Corro, suo, chego.
A casa não é mais a mesma.
Está aberto, escancarado,
sem cacos de vidro no muro.
Mas você não está aqui.
Corro, suo, fujo.
Não quero lugar que não seja lar.
Não quero ilha nem muralha.
Quero o metro quadrado que habitas.
E onde é isso?
Diz que eu vou correndo,
sem medo do suor,
sem olhar pras horas.
Diz que eu chego,
se é lá que você está.
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012
O alvorecer de um amor poente
Dádiva do tempo,
maldição das horas.
Nada está ao teu contento;
tudo consiste em demoras.
Qual o momento exato para a tua satisfação?
Será que quem paga o pato tem direito à refeição?
Rodeado de relógios,
e o que me apontam os ponteiros?
Veja! São cenas do próximo episódio!
Serei ainda o teu companheiro ao final da temporada?
Dádiva do tempo,
maldição das horas.
Nem água, nem cimento.
Somos feitos de auroras.
maldição das horas.
Nada está ao teu contento;
tudo consiste em demoras.
Qual o momento exato para a tua satisfação?
Será que quem paga o pato tem direito à refeição?
Rodeado de relógios,
e o que me apontam os ponteiros?
Veja! São cenas do próximo episódio!
Serei ainda o teu companheiro ao final da temporada?
Dádiva do tempo,
maldição das horas.
Nem água, nem cimento.
Somos feitos de auroras.
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terça-feira, 2 de outubro de 2012
A moça do i-phone de pérola
Existia uma mulher que muito queria, mas pouco oferecia.
Nunca perguntava "Oi, você vai bem?"
ou "Como foi o seu dia?".
Mas essa mulher, sem muito interesse em minha vida,
mantinha sua vigília sobre os meus passos e sentidos.
Um dia, pelo bosque, enamorei-me de um rapaz.
Tão belo de atitudes e de palavra tão voraz.
Mas eu, peça de decoração na sala de artefatos dessa mulher,
fui impedida de seguir com o jovem de braços abertos.
Como me libertar do art-déco quando meu coração quer art-nouveau?
Eu ficava tão confusa que caia em prantos e delírios.
E ela ria. A má, ria, nefanda e maquiavélica.
Busco nos meus gritos sufocados a libertação de madrugadas cheias de gente em volta,
mas vazias dentro de mim. Para um abraço entre dois, porém que me preenche como nunca antes vivi.
Existia uma mulher que muito queria, mas pouco oferecia.
Existia uma rapaz que muito oferecia, e pouco esperava.
Existia eu, que tanto queria, mas só decorava.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Definho de fininho
E de fininho eu definho
para que ninguém perceba que antes do homem virar pó
ele era lama.
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Voo solo
E a dor que envolve o ser está presente.
Minhas emoções nuas gelam nos cumes de um doer pungente,
é o vento frio da solidão.
Pulo do alto vale em direção ao chão?
É o meu voo solo que não goza de companhia
nem de compaixão.
Mas quero acabar com a agonia.
Apenas ela. Minha vida eu ainda sonho em viver.
Quero poder transcrever as fantasias
nas linhas da mão que se inclinam para agir.
Mas elas não agem.
São tantos "mas" e "porém" e "só que".
Quero pular para dentro de mim.
Minhas emoções nuas gelam nos cumes de um doer pungente,
é o vento frio da solidão.
Pulo do alto vale em direção ao chão?
É o meu voo solo que não goza de companhia
nem de compaixão.
Mas quero acabar com a agonia.
Apenas ela. Minha vida eu ainda sonho em viver.
Quero poder transcrever as fantasias
nas linhas da mão que se inclinam para agir.
Mas elas não agem.
São tantos "mas" e "porém" e "só que".
Quero pular para dentro de mim.
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