segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Definho de fininho
E de fininho eu definho
para que ninguém perceba que antes do homem virar pó
ele era lama.
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Voo solo
E a dor que envolve o ser está presente.
Minhas emoções nuas gelam nos cumes de um doer pungente,
é o vento frio da solidão.
Pulo do alto vale em direção ao chão?
É o meu voo solo que não goza de companhia
nem de compaixão.
Mas quero acabar com a agonia.
Apenas ela. Minha vida eu ainda sonho em viver.
Quero poder transcrever as fantasias
nas linhas da mão que se inclinam para agir.
Mas elas não agem.
São tantos "mas" e "porém" e "só que".
Quero pular para dentro de mim.
Minhas emoções nuas gelam nos cumes de um doer pungente,
é o vento frio da solidão.
Pulo do alto vale em direção ao chão?
É o meu voo solo que não goza de companhia
nem de compaixão.
Mas quero acabar com a agonia.
Apenas ela. Minha vida eu ainda sonho em viver.
Quero poder transcrever as fantasias
nas linhas da mão que se inclinam para agir.
Mas elas não agem.
São tantos "mas" e "porém" e "só que".
Quero pular para dentro de mim.
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Ternura e tocaia
Tudo que tange o teto também pode tocar a terra.
A tinta que tinge teus pelos trai o truque da fantasia.
Não me tente com seus olhos castanhos.
Não me tente com suas mãos curiosas.
Não me tente com seus sonhos insanos.
Não me tente com seus lábios cor-de-rosa.
Atente-se ao movimento do meu corpo.
Atenha-se ao horizonte e ao depois.
Atreva-se no caminho que deturpo.
Atravessa-me para que sejamos dois.
Não me tente com suas palavras bonitas.
A tentação é cruel para os fracos.
Não me ataque com seus gestos sinceros
ou com a atração que traz no abraço.
Tanto queria dizer, tanto queria criar.
Tanto queria que hoje quero tanto.
No entanto, trago um texto que retrata um tipo estranho.
Um tamanho trapo que troca os trajes para esconder o estrago.
É a travessia de fuga a caminho da toca.
A tinta que tinge teus pelos trai o truque da fantasia.
Não me tente com seus olhos castanhos.
Não me tente com suas mãos curiosas.
Não me tente com seus sonhos insanos.
Não me tente com seus lábios cor-de-rosa.
Atente-se ao movimento do meu corpo.
Atenha-se ao horizonte e ao depois.
Atreva-se no caminho que deturpo.
Atravessa-me para que sejamos dois.
Não me tente com suas palavras bonitas.
A tentação é cruel para os fracos.
Não me ataque com seus gestos sinceros
ou com a atração que traz no abraço.
Tanto queria dizer, tanto queria criar.
Tanto queria que hoje quero tanto.
No entanto, trago um texto que retrata um tipo estranho.
Um tamanho trapo que troca os trajes para esconder o estrago.
É a travessia de fuga a caminho da toca.
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Mar e poça
Era uma vez um rapaz e uma moça.
Cada qual tinha um mar,
cada qual tinha uma poça.
O mar tinha suas mil infinitudes,
era amplo e profundo e quase grande como o mundo.
A poça não tinha nada.
Só um palmo de água e suas decrepitudes.
Não sei se por medos das ondas
ou pavor das correntezas
os dois tinham medo do mar
e não viam as suas belezas.
E achavam que a poça era segura
pois dava pé e estava à mão.
Ora, mas que situação!
Com tanta água pra rolar
consideram a que está em inanição?
Pobre rapaz, pobre moça ...
Ao invés de se aventurar no mar,
acabaram se afogando na poça.
Cada qual tinha um mar,
cada qual tinha uma poça.
O mar tinha suas mil infinitudes,
era amplo e profundo e quase grande como o mundo.
A poça não tinha nada.
Só um palmo de água e suas decrepitudes.
Não sei se por medos das ondas
ou pavor das correntezas
os dois tinham medo do mar
e não viam as suas belezas.
E achavam que a poça era segura
pois dava pé e estava à mão.
Ora, mas que situação!
Com tanta água pra rolar
consideram a que está em inanição?
Pobre rapaz, pobre moça ...
Ao invés de se aventurar no mar,
acabaram se afogando na poça.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Noite inata
Acordei sorrindo
com a certeza de que dormiria ao teu lado.
Contei os segundos
e, entre ábacos e arabescos, eu vi a noite cair
para dar lugar ao calor de nossa paixão.
Colhi um lírio no canteiro dos justos
e lá estava eu, prestes a encontrá-la -
o coração á espreita de um gesto teu.
Cheguei no teu prédio
e já podia sentir o sabor dos teus lábios.
Bati em tua porta
mas você não apareceu.
Um recado foi-me entregue.
Não era letra tua escrita
naquele papel qualquer,
entregue por um alguém que não sabia o que somos nós.
Despi o sorriso da minha noite
e o lírio colhido para adornar o leito,
a flor que trouxe guardado no peito -
desfiz-me como se desfaz de uma lágrima amarga.
A nossa noite, jazendo inata,
é agora apenas noite solitária,
afundada no manguezal da solidão.
com a certeza de que dormiria ao teu lado.
Contei os segundos
e, entre ábacos e arabescos, eu vi a noite cair
para dar lugar ao calor de nossa paixão.
Colhi um lírio no canteiro dos justos
e lá estava eu, prestes a encontrá-la -
o coração á espreita de um gesto teu.
Cheguei no teu prédio
e já podia sentir o sabor dos teus lábios.
Bati em tua porta
mas você não apareceu.
Um recado foi-me entregue.
Não era letra tua escrita
naquele papel qualquer,
entregue por um alguém que não sabia o que somos nós.
Despi o sorriso da minha noite
e o lírio colhido para adornar o leito,
a flor que trouxe guardado no peito -
desfiz-me como se desfaz de uma lágrima amarga.
A nossa noite, jazendo inata,
é agora apenas noite solitária,
afundada no manguezal da solidão.
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domingo, 15 de julho de 2012
Necessidade
Eu não preciso de você no mês quem vem.
Sabe lá Deus se verei setembro chegar.
Eu não preciso de você daqui a duas semanas.
Não estreei o meu calendário.
Nem preciso de você daqui a meia-hora.
Minha necessidade de ti é no cerne do agora.
Espero que não precises de mim em breve.
Talvez só vá me achar perdido no obituário.
Sabe lá Deus se verei setembro chegar.
Eu não preciso de você daqui a duas semanas.
Não estreei o meu calendário.
Nem preciso de você daqui a meia-hora.
Minha necessidade de ti é no cerne do agora.
Espero que não precises de mim em breve.
Talvez só vá me achar perdido no obituário.
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sexta-feira, 13 de julho de 2012
Éramos dois
Éramos dois. E tudo à nossa volta era par. Duas cadeiras, uma de frente para a outra e nos sentamos. Duas taças de vinho. Duas taças de vinho. Duas taças de vinho e abrimos a segunda garrafa. Duas rolhas na bancada da varanda, dois corpos sobre o tapete da sala.
Agora tudo se multiplica. São dedos, são lábios. São línguas, são pernas, grutas e cavernas. São gritos, são unhas, posições e travessuras. Eu sinto que dentro de você eu sou mais eu. Éramos dois, somos um.
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Sozinho
Eu estava sozinho. O fim de tarde fazia o breu invadir os meus aposentos. Tomei um banho e a toalha secava o meu corpo e as minhas lágrimas. Eu estava sozinho. Muito sozinho.
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quinta-feira, 5 de julho de 2012
Ele disse que me amava
Nunca mais confio em alguém. Ele disse que me amava. Ele disse. ... Bem, ele não disse com todas as palavras, mas fez tudo o que um homem apaixonado faria. Ele me trouxe flores, me levou ao cinema, fomos jantar, fomos dançar. Ele trouxe flores, trocamos um beijo. Fomos jantar, fomos dançar, ele me trouxe em casa. Ele me trouxe flores, trocamos um beijo, fomos jantar, fomos para a cama. Ele me trouxe beijos, me trouxe carinhos, ele me trouxe orgasmos. Ele me trouxe flores. Ele sumiu.
Ele ligou, ele pediu desculpas, ele me trouxe flores, fomos jantar, fomos dançar, fomos para a cama. Trocamos beijos. Ele sumiu.
Ele ligou, ele pediu desculpas. Ele sumiu.
Ele ligou, ele trouxe flores, me deu um beijo. Fomos jantar, fomos pra cama. Ele ligou. Fomos dançar, trocamos beijos, fomos pra cama. Ele ligou. Ele deu adeus. Ele amava outra mulher.
Nunca mais confio em mim.
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quarta-feira, 4 de julho de 2012
Ama-me a mim mesma
Ela buscava nele o amor que por si mesma não sentia. Quanto mais ele a olhava com desejo, mais ela se sentia mulher. Quanto mais ele lhe dava flores, mais ela se sentia mulher. Cada "eu te amo" que ele falava fazia ela se amar. Coitado, ela não o amava. Usava-o como instrumento de amor próprio. Como um espelho reverso que reflete o que o outro vê, e faz do virtual a realidade. Pobre homem não amado. Ama e faz da mulher amada mais amada por ela mesma.
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segunda-feira, 2 de julho de 2012
Para vós
Dizem que o mundo é pequeno.
Deve ser por isso que pessoas grandes se encontram nele.
Eu me esbarrei com gente enorme.
Gente com corações gigantescos,
talentos nababescos,
perfume de negresco.
Essa gente tão tamanha
enche o meu dia de grandezas.
E encontro em mim
belezas que não sabia enxergar.
Essas minhas pequenezas precisaram
de olhos sábios e gentis
para observar entre os meus gestos febris
aquilo que os fazem me amar.
Essa gente de muita alteza
faz sombra sobre a minha cabeça
e afasta o efervecer dos conflitos e agruras.
A mão dessa gente grande me afaga,
me cura e remedia para o dia de amanhã.
Estávamos tão distantes há pouco tempo,
e hoje, já nem lembro desse momento passado.
Vivo esse resquício de tarde, eterna memória:
canto bacante, alma alimentada, olhos serenos.
Há tanta grandeza em nosso mundo!
E dizem que o mundo é tão pequeno ...
Deve ser por isso que pessoas grandes se encontram nele.
Eu me esbarrei com gente enorme.
Gente com corações gigantescos,
talentos nababescos,
perfume de negresco.
Essa gente tão tamanha
enche o meu dia de grandezas.
E encontro em mim
belezas que não sabia enxergar.
Essas minhas pequenezas precisaram
de olhos sábios e gentis
para observar entre os meus gestos febris
aquilo que os fazem me amar.
Essa gente de muita alteza
faz sombra sobre a minha cabeça
e afasta o efervecer dos conflitos e agruras.
A mão dessa gente grande me afaga,
me cura e remedia para o dia de amanhã.
Estávamos tão distantes há pouco tempo,
e hoje, já nem lembro desse momento passado.
Vivo esse resquício de tarde, eterna memória:
canto bacante, alma alimentada, olhos serenos.
Há tanta grandeza em nosso mundo!
E dizem que o mundo é tão pequeno ...
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
De frente para a vida
Estou de frente para a vida.
A visão me assusta.
Não sei dar os passos que me levam ao futuro.
Mas mesmo parado o tempo passa.
O futuro me arrasta, não tive opção.
O tempo não espera que eu tire os pés do chão.
E o passado é uma avalanche que vem atrás de mim.
Posso ser sufocado pelas pedras que não se cansam em me ameaçar.
As pedras atingem. As cicatrizes não fecham.
Quero tanto correr, mas minhas pernas não se movem.
A inércia já é uma fuga.
Estou de frente para a vida.
Quando ela me dará as costas?
A visão me assusta.
Não sei dar os passos que me levam ao futuro.
Mas mesmo parado o tempo passa.
O futuro me arrasta, não tive opção.
O tempo não espera que eu tire os pés do chão.
E o passado é uma avalanche que vem atrás de mim.
Posso ser sufocado pelas pedras que não se cansam em me ameaçar.
As pedras atingem. As cicatrizes não fecham.
Quero tanto correr, mas minhas pernas não se movem.
A inércia já é uma fuga.
Estou de frente para a vida.
Quando ela me dará as costas?
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quarta-feira, 27 de junho de 2012
Begônias do quintal
Muito ouço por aí que só se colhe o que se planta.
Esquecem que nem todo jardim se desencanta ao natural.
Mesmo semeando as mais belas flores ou frutos
é possível ver nascer dores e lutos nas begônias do quintal.
Erva-daninha brota sozinha por inveja do sol.
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segunda-feira, 11 de junho de 2012
Ela é atriz
Isso não se nega. Ela é atriz.
Quer interpretar alguém diferente de si.
Quem será essa personagem que não é ela,
mas que ela anseia em ser
no palco?
Ela espera a cortina abrir para poder sê-la
e fazer todas as coisas que a outra faz.
Dizer o que a outra diz,
chorar as suas lágrimas,
corar as suas vergonhas,
defender as suas brigadas.
Ela espera o foco de luz para fazer o monólogo
que traduz em palavras e gestos
tudo o que nela é som e fúria.
Ela espera a deixa para levantar a cabeça
e mantê-la erguida enquanto mira
os seus desejos e sonhos.
Ela termina, se inclina;
chora o fechar da cortina e
a chuva de aplausos que lavam
a pessoa que ela foi nesse breve espetáculo.
Quem será essa mulher que é ela,
mas que anseia em se esconder em outras
no palco?
Quer ser diferente de si.
Ela é atriz. Ela se nega.
Quer interpretar alguém diferente de si.
Quem será essa personagem que não é ela,
mas que ela anseia em ser
no palco?
Ela espera a cortina abrir para poder sê-la
e fazer todas as coisas que a outra faz.
Dizer o que a outra diz,
chorar as suas lágrimas,
corar as suas vergonhas,
defender as suas brigadas.
Ela espera o foco de luz para fazer o monólogo
que traduz em palavras e gestos
tudo o que nela é som e fúria.
Ela espera a deixa para levantar a cabeça
e mantê-la erguida enquanto mira
os seus desejos e sonhos.
Ela termina, se inclina;
chora o fechar da cortina e
a chuva de aplausos que lavam
a pessoa que ela foi nesse breve espetáculo.
Quem será essa mulher que é ela,
mas que anseia em se esconder em outras
no palco?
Quer ser diferente de si.
Ela é atriz. Ela se nega.
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terça-feira, 5 de junho de 2012
Poema que se come frio
Nem tudo o que reluz é ouro,
já diz o velho ditado.
Nem tudo se aguenta no couro,
digo eu, com o corpo cansado.
Meus dedos clicam nas teclas
extraindo a beleza que penso guardar.
De mim eu não sou um assecla.
Crio as promessas e o despistar.
Ainda me resta,
entre o nato e o aborto,
a vontade de ser em palavras,
de estar entre versos,
de viver nesse mundo complexo
onde o pecado não deprava.
Sem mais lágrimas ou horizontes,
quando eu fechar os olhos -
de frente pra morte ou da morte em diante -
não poderei mais sentir o mundo
e extraí-lo de mim como poesia.
Haverei de buscar novas formas
de transformar o que sou e o que vejo -
agora cego, talvez morto -
em texto, sangue ou desejo.
Quando eu fechar os olhos
e não ter mais movimento,
não será no berçário ou no velório
que expurgarão o meu sofrimento.
Minha maldição será meu legado,
enquanto lembrarem meu nome
viverás meu purgatório.
já diz o velho ditado.
Nem tudo se aguenta no couro,
digo eu, com o corpo cansado.
Meus dedos clicam nas teclas
extraindo a beleza que penso guardar.
De mim eu não sou um assecla.
Crio as promessas e o despistar.
Ainda me resta,
entre o nato e o aborto,
a vontade de ser em palavras,
de estar entre versos,
de viver nesse mundo complexo
onde o pecado não deprava.
Sem mais lágrimas ou horizontes,
quando eu fechar os olhos -
de frente pra morte ou da morte em diante -
não poderei mais sentir o mundo
e extraí-lo de mim como poesia.
Haverei de buscar novas formas
de transformar o que sou e o que vejo -
agora cego, talvez morto -
em texto, sangue ou desejo.
Quando eu fechar os olhos
e não ter mais movimento,
não será no berçário ou no velório
que expurgarão o meu sofrimento.
Minha maldição será meu legado,
enquanto lembrarem meu nome
viverás meu purgatório.
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