Nem tudo o que reluz é ouro,
já diz o velho ditado.
Nem tudo se aguenta no couro,
digo eu, com o corpo cansado.
Meus dedos clicam nas teclas
extraindo a beleza que penso guardar.
De mim eu não sou um assecla.
Crio as promessas e o despistar.
Ainda me resta,
entre o nato e o aborto,
a vontade de ser em palavras,
de estar entre versos,
de viver nesse mundo complexo
onde o pecado não deprava.
Sem mais lágrimas ou horizontes,
quando eu fechar os olhos -
de frente pra morte ou da morte em diante -
não poderei mais sentir o mundo
e extraí-lo de mim como poesia.
Haverei de buscar novas formas
de transformar o que sou e o que vejo -
agora cego, talvez morto -
em texto, sangue ou desejo.
Quando eu fechar os olhos
e não ter mais movimento,
não será no berçário ou no velório
que expurgarão o meu sofrimento.
Minha maldição será meu legado,
enquanto lembrarem meu nome
viverás meu purgatório.
terça-feira, 5 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Corro e corro e corro
Corro e corro e corro.
Fujo e corro e corro e corro.
Minhas pernas doem,
meus olhos choram,
eu peço socorro.
Já estou fora de rumo há tanto tempo que nem sei de onde eu vim.
Onde era a minha primeira morada?
Não tenho lembranças de qualquer segurança.
Não tenho memórias de nenhum abrigo.
E corro e corro e corro.
Passei ruas, cruzei esquinas,
nadei rios, segui correntezas,
subi morro. E corro e corro
e não morro.
Será que meu corpo não se cansa?
Será que minhas forças não se esgotam?
Quero descanso. Quero descanso.
Pois eu corro e corro e corro.
Corro de pés descalços.
Corro e não sei para onde.
Fujo e não de quem.
Não conheço os porquês desta jornada.
E a cada dúvida mais eu corro, mais eu fujo,
menos sei.
E eu corro e corro e corro.
Fujo e corro e corro e corro.
Minhas pernas doem,
meus olhos choram,
eu peço socorro.
Já estou fora de rumo há tanto tempo que nem sei de onde eu vim.
Onde era a minha primeira morada?
Não tenho lembranças de qualquer segurança.
Não tenho memórias de nenhum abrigo.
E corro e corro e corro.
Passei ruas, cruzei esquinas,
nadei rios, segui correntezas,
subi morro. E corro e corro
e não morro.
Será que meu corpo não se cansa?
Será que minhas forças não se esgotam?
Quero descanso. Quero descanso.
Pois eu corro e corro e corro.
Corro de pés descalços.
Corro e não sei para onde.
Fujo e não de quem.
Não conheço os porquês desta jornada.
E a cada dúvida mais eu corro, mais eu fujo,
menos sei.
E eu corro e corro e corro.
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quinta-feira, 10 de maio de 2012
Condão e clarão
E eis que com seus dedos feiticeiros
ela muda as árvores de lugar.
"Cada macaco no seu galho"
já não está no cancioneiro
que se chama popular.
Fique à vontade bruxa velha ...
Não me importo com a tua invasão.
Vou-me embora deste retiro.
Se nestas águas tua face espelha
prefiro o deserto que há no sertão.
E se por acaso vier nos perseguir,
saiba que tenho a planejada vingança.
Enquanto dormias teu sono atrasado
eu recolhia o que deixavas cair:
teus sonhos e esperanças.
No primeiro sopro de ameaça
deixo expostas as tuas arestas.
Vá e não perturbe o justo.
Se voltar com tuas trapaças
eu é que acabo com a tua floresta.
ela muda as árvores de lugar.
"Cada macaco no seu galho"
já não está no cancioneiro
que se chama popular.
Fique à vontade bruxa velha ...
Não me importo com a tua invasão.
Vou-me embora deste retiro.
Se nestas águas tua face espelha
prefiro o deserto que há no sertão.
E se por acaso vier nos perseguir,
saiba que tenho a planejada vingança.
Enquanto dormias teu sono atrasado
eu recolhia o que deixavas cair:
teus sonhos e esperanças.
No primeiro sopro de ameaça
deixo expostas as tuas arestas.
Vá e não perturbe o justo.
Se voltar com tuas trapaças
eu é que acabo com a tua floresta.
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sexta-feira, 4 de maio de 2012
Castelos
Estou feito um castelo de cartas.
Na passagem da mais leve brisa
não fica às sobre às, rei sobre dama.
Um castelo de cartas de um baralho já puído,
muito usado para a sorte, pouco lido por videntes.
Estou feito um castelo de areia.
Na chegada da mais leve onda
não fica grão sobre grão.
O castelo de areia é maciço,
é só de fachada, não cabe a solidão
Estou feito um castelo de sonhos.
Na passagem da mais leve dor
não fica grão sobre naipe, não fica fachada sobre sorte.
Fico eu, de cara para a morte,
esperando quem coloque pedra sobre pedra.
Na passagem da mais leve brisa
não fica às sobre às, rei sobre dama.
Um castelo de cartas de um baralho já puído,
muito usado para a sorte, pouco lido por videntes.
Estou feito um castelo de areia.
Na chegada da mais leve onda
não fica grão sobre grão.
O castelo de areia é maciço,
é só de fachada, não cabe a solidão
Estou feito um castelo de sonhos.
Na passagem da mais leve dor
não fica grão sobre naipe, não fica fachada sobre sorte.
Fico eu, de cara para a morte,
esperando quem coloque pedra sobre pedra.
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De volta
De volta ao nobre espaço
está este homem lasso
sem muito som,
sem muita fúria.
De volta da solidão
busco, será em vão?,
a companhia de vossos olhos atentos.
De volta com minhas palavras
mas ainda nas águas rasas
eu emerjo de onde não cheguei a afundar.
está este homem lasso
sem muito som,
sem muita fúria.
De volta da solidão
busco, será em vão?,
a companhia de vossos olhos atentos.
De volta com minhas palavras
mas ainda nas águas rasas
eu emerjo de onde não cheguei a afundar.
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domingo, 25 de março de 2012
Eu e as horas
Perdido entre as horas
busco o farol de um aviso seu.
Onde foi parar o nosso casamento?
Nossas alianças estão perdendo o brilho.
Afogado nas horas
busco respirar ao emergir do meu pranto.
Onde foi parar o encanto de estar junto?
Meu dedos ficaram finos.
Seus dedos estão mais gordos.
À deriva nas horas
busco a terra firme que meus pés não encontram mais.
Vão-se os casais,
ficam os medos.
Só. Eu e as horas.
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sábado, 10 de março de 2012
No banco do teu prédio
No banco do teu prédio
pensei ser remédio
o teu doce veneno.
E inoculaste a peçonha.
Meu corpo já não estranha
Meu corpo já não estranha
os teus dentes pequenos.
Hoje, sem banco e sem remédio,
o leito, outrora branco.
o leito, outrora branco.
está amarelado,
está vazio - estou cansado.
Sim, teu veneno vicia.
Mas há de chegar o dia
Mas há de chegar o dia
em que tua presença se fará antídoto
e o meu desprezo, anticorpo fortelecido.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
A atriz
à Kelzy Ecard
Mas fora do palco ela é única.
E me surpreende a cada dia sendo ela mesma.
Ela pode ser tantas.
E eu já a vi as sendo.
Ela beijou outro homem e fez juras de amor,
disse coisas pra ele que nunca disse pra mim.
Ela também já matou, já morreu,
Ela também já matou, já morreu,
já casou, já sorriu, já sofreu.
Ela já foi carioca, paulista,
Ela já foi carioca, paulista,
grega, francesa, americana.
Já cantou, já fez silêncio.
Já foi rainha, já foi camponesa.
Já cantou, já fez silêncio.
Já foi rainha, já foi camponesa.
Já foi cega.
Ela já foi muitas.
Mas é sempre ela.
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domingo, 29 de janeiro de 2012
Ser imperfeito não nega o amor no meu peito
Perdão, amor.
Não sei porque erro tanto.
Não sei porque erro tanto.
'Inda mais quando tudo o que tento
é materializar em atos
o meu sentimento.
Desculpe, amor.
Não quero ser este trapo.
Quando o meu canto
contrasta com o que digo
tento conter teu espanto
transformando em abrigo
este teu homem farrapo.
Eu te amo, amor.
Estarei sempre ao teu lado
Estarei sempre ao teu lado
mesmo eu sendo um ser imperfeito.
E seguindo acompanhado
E seguindo acompanhado
é mais fácil andar direito -
com você, de braços dados,
com você, dentro do peito.
Obrigado, amor.
Já sei porque te amo tanto.
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domingo, 22 de janeiro de 2012
Embriagado de tédio
Embriagado de tédio
vejo-te absorta nas páginas te um livro qualquer.
Posto de lado,
o remédio é estar aberto ao que der e vier.
Atrás do pecado
eu busco o assédio de te distrair.
E viro pro lado
já que de teu livro não vais desistir.
Em busca de fado
deixo o teu prédio, assim, de pijama.
E embriagado
retorno o meu corpo à tua cama.
Ainda absorto teus olhos estão neste livro qualquer.
Virei um aborto,
que nem livro roto,
aos teus olhos,
mulher.
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sábado, 7 de janeiro de 2012
(mais um) Apelo ao poeta
Quero ler-te.
Escreva, poeta.
Faz da folha em branco
o corpo nu da tua musa.
Desenlace as moças do teu flanco
para que não haja escusas
na tua volta à arte predileta.
Quero ler-te
mas já não escreves mais.
O quê fazem essas tuas musas?
Será que quando incendeiam tua cama
não mais ardem em chamas as tuas ideias?
Quero ler-te
mas teu livro fechou-se a mim.
As páginas outrora ferozes
hibernam hoje entre as capas recolhidas.
Quero ler-te.
Meus olhos buscam tua caligrafia,
a tua letra, teu estilo.
Mas esse jejum já virou vacilo ...
Quero ler-te.
Escreva, poeta!
Escreva, poeta.
Faz da folha em branco
o corpo nu da tua musa.
Desenlace as moças do teu flanco
para que não haja escusas
na tua volta à arte predileta.
Quero ler-te
mas já não escreves mais.
O quê fazem essas tuas musas?
Será que quando incendeiam tua cama
não mais ardem em chamas as tuas ideias?
Quero ler-te
mas teu livro fechou-se a mim.
As páginas outrora ferozes
hibernam hoje entre as capas recolhidas.
Quero ler-te.
Meus olhos buscam tua caligrafia,
a tua letra, teu estilo.
Mas esse jejum já virou vacilo ...
Quero ler-te.
Escreva, poeta!
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sábado, 31 de dezembro de 2011
O carrasco sabe quando mostro os dentes
Faz falta penar as dores;
Foram muitos sorrisos
consecutivos
inconsequentes.
O carrasco sabe quando mostro os dentes
A sorte sabe as cartas que tenho na mão
O penhasco é o que fica após o chão
A morte é apenas o passo à frente
Faz falta penar as dores;
Foram muitos gritos
aprisionados
dentre os dentes.
A guilhotina sabe onde fica o pescoço
O nó sabe da forca o início
A jovem menina não sabe o que é vício
O homem velho já não sabe ser moço
Faz falta penar as dores;
mas o tempo é injusto e veloz
traz de volta o pior dos odores:
o perfume da morte, do amor, do algoz.
Foram muitos sorrisos
consecutivos
inconsequentes.
O carrasco sabe quando mostro os dentes
A sorte sabe as cartas que tenho na mão
O penhasco é o que fica após o chão
A morte é apenas o passo à frente
Faz falta penar as dores;
Foram muitos gritos
aprisionados
dentre os dentes.
A guilhotina sabe onde fica o pescoço
O nó sabe da forca o início
A jovem menina não sabe o que é vício
O homem velho já não sabe ser moço
Faz falta penar as dores;
mas o tempo é injusto e veloz
traz de volta o pior dos odores:
o perfume da morte, do amor, do algoz.
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
O sabor do teu doce amor
Meu doce amor,
sei que a distância é amarga.
Desculpe-me se não te trago uma flor.
Pétalas não apagam os rastros do tempo.
Meu doce amor,
sei que a distância te azeda.
Desculpe-me se não voltei com pressa.
Mais veloz são meu lábios que meus passos.
Meu doce amor,
sei que a distância às vezes salga.
Desculpe-me se peço tanta calma.
Lembre-se dos beijos trocados no Paço.
Meu doce amor,
sei o sabor que traz a distância.
Mas o paladar sobrevive à ânsia
e nosso amor não seca como as pétalas.
Ele vira fruto mordido sem pecado.
E as sementes caídas no solo arado
fazem renascer a cada estação
o sabor do teu doce amor.
sei que a distância é amarga.
Desculpe-me se não te trago uma flor.
Pétalas não apagam os rastros do tempo.
Meu doce amor,
sei que a distância te azeda.
Desculpe-me se não voltei com pressa.
Mais veloz são meu lábios que meus passos.
Meu doce amor,
sei que a distância às vezes salga.
Desculpe-me se peço tanta calma.
Lembre-se dos beijos trocados no Paço.
Meu doce amor,
sei o sabor que traz a distância.
Mas o paladar sobrevive à ânsia
e nosso amor não seca como as pétalas.
Ele vira fruto mordido sem pecado.
E as sementes caídas no solo arado
fazem renascer a cada estação
o sabor do teu doce amor.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Moça da taça de vinho
Moça da taça de vinho
me lembro dos teus talismãs
Lembro da da tua conversa,
tua fala dispersa,
teus lábios romã.
Moça da taça de vinho
quero teus olhos de mel.
Quero tua pele e tua alma,
tua fera sem calma,
tua fuga do céu.
Moça da taça de vinho
quero uma dose e um brinde,
um gole e um petisco.
Quero teu olhar e atenção,
mas não quero que diga que não.
Quero teu corpo e carinho,
quero é você, minha moça
da taça de vinho.
me lembro dos teus talismãs
Lembro da da tua conversa,
tua fala dispersa,
teus lábios romã.
Moça da taça de vinho
quero teus olhos de mel.
Quero tua pele e tua alma,
tua fera sem calma,
tua fuga do céu.
Moça da taça de vinho
quero uma dose e um brinde,
um gole e um petisco.
Quero teu olhar e atenção,
mas não quero que diga que não.
Quero teu corpo e carinho,
quero é você, minha moça
da taça de vinho.
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
A moça da maré
Meu querido amigo,
o que te traz aqui
com este rosto antigo?
Onde está o sorriso
que te acompanhou
naquela última vez?
Não diz que ela voltou
e tirou de você
quem estava contigo ...
Onde está aquela moça
que o tirou da poça
e o fazia feliz?
Foi embora depois
que já não eram dois
pois voltou a primeira;
que não quis ser terceira,
que não quis ser parceira,
que não gosta de paz.
Meu querido amigo,
não faça besteira;
Não se afunde de novo.
Esse mar é profundo,
afogou o seu mundo
e sumiu com teu corpo.
Demorou tanto tempo
pra você se curar.
Pra emergir desse mar,
pra quebrar tua cela.
Meu querido amigo,
cuidado, olha o perigo,
com o mar não se brinca.
Olhe à tua volta
e veja onde fincas
o teu coração.
Meu querido amigo
clamo, ouça o alarde,
sabes bem como é.
Mais cedo ou mais tarde,
ela muda com a lua
e some com a maré.
Não fique a ver navios.
Vem que eu te auxilio
voltar á terra firme.
Meu querido amigo,
não é nenhum crime;
chore o seu mar.
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