quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

a e i o u

Como sal,
olho o céu.
Sou senil.
O meu sol
nasce ao sul.

Quero achar
pra esconder
e extrair
o calor
da minha Excalibur.

Vou de Tam
ver meu bem.
Vou assim
pintado com
a cor do urucum.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Descontraindo Eu

Quando eu bebo álcool eu fico assim ...
Desconstraído ...
Eu bebo em pé mas termino a noite ..
caído!

Desce mais uma, senhor garçom!
Eu to com o sede,
o vinho é do bom!

Se é assim ...
Eu vou beber!

Descontraindo ...
Desiludindo ...
o conceito de certo e errado.
Me divertindo ...
Eu vou sumindo ...
Nas galáxias das borbulhas do champagne.

sábado, 1 de janeiro de 2011

De longe é que vemos melhor

De perto, talvez
com os olhos próximos demais,
não percebi os detalhes que fazem tua presença
uma obra de arte.

De perto, me parece,
fui tolo demais,
não senti que longe da tua indecência
seria eu apenas uma parte.

De perto, pensei
não ser nada demais,
mas chegou a minha sentença
e me sinto em descarte.

De longe eu percebo,
e vejo melhor.
A distância transformou minha calma em ânsia.
Só agora eu sei a falta que faz senti-la ao meu lado.
Caminhar sem você foi meu passo mal dado.
Cambaleio em minha estrada.
Quero de volta a minha morada.
Quero habitar o teu ventre,
banhar-me em teus seios,
esquentar-me em teus cabelos.

Quero voltar para perto,
pertencer ao mesmo espaço.
Invadi-la e tomá-la.
Quero ser-te para estar perto de mim.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Saudades em era high-tech

Pixels expressam na tela
aquilo o que tento dizer.
Por favor! Não feche a janela.
Ainda há muito o que escrever.

Veja a barra piscando.
É a pressa do meu coração.
Laranja é a cor latejando -
e em coro a minha aflição.

Minhas frases vão se sobrepondo,
cada uma na sua vez.
Desse jeito eu vejo se escondo
as lágrimas sobre a minha tez.

Treme a tela e um som meio estranho
sai em busca da tua atenção.
Quando vens, quero ver o tamanho -
o tamanho da tua paixão.

Sem o toque dói mais a distância.
Sem sentir sua pele e torpor.
Sinto sim a saudade e a ganância
de ser vivo e queimar em teu calor.

Dito isso, meu amor, minha amada -
sim é triste, mas - tenho que partir.
Desligo o pc da tomada,
fecho os olhos e tento dormir.

Mas o sono não supera a saudade
teclo letras e envio um adeus.
Boa noite, amor - que vontade ...
queria teu corpo no meu.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Combinemos assim

Vamos rir a cada três minutos;
sejamos justos (com nós mesmos mais ainda);
gaste mais no que for bom;
observe os que andam na rua;
olhe pela janela;
entre numa rua desconhecida;
jogue fora o que não te serve;
olhe o relógio:
ria.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Souvenir

No fundo da estante,
atrás dos porta-retratos,
coberto de poeira,
sinto falta do teu tato.

E aqui, assim, distante, penso
se ainda lembras o meu formato.
Se estou aqui de brincadeira
ou se esse é o meu infinito entreato.

Sonho o dia em que me queiras novamente.
Vais me pegar e me dar um abraço,
e lembrar de quando me ganhou de presente
dentro de um pacote enrolado num laço.

Mas, não. Já são anos que correm,
e eu aqui. Esquecido num canto.
Sou este souvenir de quem já não lembram mais.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sonho nato

Eu vejo os dias passar.
Cada vez que abro meus olhos de um sono cansado
tenho a esperança de que terei o meu sonho acordado.
É. Quero que alguém sacuda o meu sonho
até que ele chore. Que abra a garganta,
como um bebê que acaba de nascer.
Esse choque do meu sonho com o mundo
será tão lindo, tão doce, tão inocente.
Mas meu sonho que vem do inconsciente
é forte para os perigos do mundo.
O meu sonho que me conhece mais do que eu
saberá se defender das armadilhas que contruo para mim.
Ele tem as artimanhas. Eu só tenho a minha peçonha.
Mas cobra quando se pica não morre. Toma soro anti-ofídico.

Quero acordar com o meu sonho.
Quero o despertar da minha nova manhã.
Meu sol multi-colorido, minha chuva de suco de manga,
minhas nuvens de almofada macia.
Meu sonho não é mais fantasia.
Minha realidade é a mais pura melodia
do pássaro que voa livre e feliz.

Meu sonho fugiu das algemas do impossível.
Ele é desperto, é nato.
Este sonho virou fato.
Qual será o próximo? Ah ... imprevisível.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Agora é a hora

Agora não me agoura.
Já é hora de começar.
Tire seus olhos de manobra
que querem me derrubar.

Veja bem, minha senhora,
é chegada, enfim, a hora
de botar as manguinha de fora.

Trate de entrar na dança,
como fez Chico na Valsinha,
pegue teu vestido
e vá para a ágora da cidade.

Agora é hora de dançar,
sem ontem ou amanhã.
Sem tantinhos a esperar.
Sem ponteiros a espreitar.

Sondheim! The Birthday Concert - PBS Great Performances

Ai, gente ... eu adoro Sondheim! Ele fez 80 anos esse ano e diversos concertos foram feitos em sua homenagem. Dois sairão em dvd. O da BBC e o da PBS.

Os vídeos abaixo são do concerto americano, com direito a Paul Gemignani regendo a Filarmônica de Nova York.

Patti LuPone - The Ladies Who Lunch


A Patti LuPone abraça a Elaine Strich no final porque a Elaine cantou essa música pela primeira vez na estreia de Company.

Já esse vídeo é o belíssimo dueto de Sunday in The Park With George, com os atores da montagem original Bernadette Peters e Mandy Patinkin.

Bernadette Peters e Mandy Patinkin - Move On


Ah ... não vejo a hora de comprar esses dvds!!!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Na minha gaveta

Hoje mais cedo
procurei numa gaveta
o verso antigo que compus na solidão.

Sim, tive medo
de rever nesta gaveta
a tua carta que quebrou meu coração.

A tua carta
tanto li que decorei.
Suas palavras
tanto li que eu chorei
demais.

Logo depois,
busquei o papel e a caneta.
E escrevi resposta a tua negação.
Mas, sem coragem,
escondi numa gaveta
esta saudade que é a minha maldição.

Hoje mais tarde
irei ao teu encontro.
E lhe darei esta carta que escrevi.
E é bom que leias,
pois naquela gaveta
ao lado das palavras nossas
guardei comigo um regalo assassino.
Se não me amas, não amarás ninguém.

Eis a nova carta,
onde nela eu assino
com minhas lágrimas,
teu sangue,
meu amor.

Agora morta, mas ainda presente.
Temos a mais perfeita relação.
Vives comigo, pois guardo na gaveta
as nossas cartas e o teu coração.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sentado na praça estava Henrique

Olhando o seu livro,
sentado na praça,
ali sem motivo,
vendo quem passa,

estava Henrique
e seu olhar distante
procurando quem lhe tire
de cima da estante.

Ainda olhando o mar
ou olhando o papel,
eis que alguém vai chegar
e colocá-lo no céu.

Um alguém sem certezas,
um alguém de mistérios.
Alguém que porá na mesa
os piores impropérios.

Como do nada surgiu,
do nada sumirá.
Esse alguém já sumiu
mas de mim não sairá.

Em poucos instantes
vi meu olhar sair do mar,
vi a lógica perder a constante.
Vi meu peito se desafogar.

Henrique é quem sou
e o livro era meu.
Aquele estranho que passou
mostrou-me quem era eu.

Sua evanescência,
sua não concretidade
descobriu na minha noite a carência,
fez do meu medo, vontade.

Agora me jogo no mar
sem o risco de derreter.
Agora me vejo chorar
e a minha lágrima é você.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Deliciosamente desconexa

Ai, menina,
tão deliciosamente desconexa!
Tua língua é tão complexa -
mas é nela que quero falar.
Quero saber o teu idioma,
do teu corpo ter diploma,
ter teu gosto e teu aroma,
ter a chave da tua cidade.

Ah, menina,
tão deliciosamente desconvexa!
Vê se em mim tu te anexa -
não quero mais te perder.
Fique perto da minha vista,
faz em mim uma revista,
deixa eu ser turista
e me guia pelo teu país.

Ah, menina,
tão deliciosamente circunflexa.
Atiro em ti a minha flecha -
de ti não quero sair.

Finca nova raiz neste chão.
Entrega a mim tua navalha,
eu te entrego o meu coração.
Rasga o meu peito em retalhos,
costura de volta em novo padrão.

Ah, menina,
tão deliciosamente desconexa.
O que sou nessa persona perplexa,
se não a brecha encontrada
para desarrumar o meu caminho?

Ah, menina,
tão deliciosamente desconexa.
Qual o sabor que fica depois do teu beijo de despedida?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Busca abortada

Busco respostas nos olhos
daquele que o espelho me diz que sou.
Pergunto então ao som que minha boca externa
mas meus ouvidos não decifram a minha voz.
Toco o meu corpo mas meu tato se perde
e não reconhece minha superfície.
Trago o ar para o meu nariz
mas não sinto o menor rastro de perfume.

Dentro de mim não me alcanço.
Desisto de descobrir-me.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sorte ou sortilégio

Eu já não mais me suporto.
E, se os meus pulsos eu corto,
e vejo o sangue manchar-me de morte,
me pergunto se esta é a minha sorte
ou o meu sortilégio.

Cada caminho que tomo é sempre o mais torto.
E para seguir esta rota eu mesmo me envolto
nessa fé masoquista de ter a dor de
esperar que meu sono atravesse a noite.
Viver é o meu sacrilégio.