terça-feira, 9 de março de 2010

Chegamos ao fim

Eu só queria te ver,
falar com você.
Desfazer as dúvidas,
resolver os conflitos,
mas você me virou as costas.

Só queria ouvi-la dizer
o meu nome outra vez.
Sem raiva ou rancor,
ouvi-lo com o amor
que eu dei a você.

Fui com todo o carinho,
esperando o perdão.
Por um novo caminho,
julgou o meu coração,
poderíamos seguir.

Mas sem dó ou piedade,
não tomaste a coragem
de encore me encarar.

Mesmo assim, fiquei firme
e perguntei, relutante,
se onde tu moras
posso morar também.

Esperei na entrada,
antes escancarada,
mas agora entreaberta,
e te vejo entre as frestas
de um amor/solidão.

E aceito, enfim,
que não há mais volta
pois bateste a porta
e chegamos ao fim.

segunda-feira, 8 de março de 2010

L'homme au piano

Saudades de passar meus dedos
sob tua superfície alva,
sob tuas alterações negras,
e arrancar-lhe gemidos.

Saudades de ter os meus pés
sob ti. E assim,
ao meu bel prazer, decidir
se prolongas ou abafas os teus sons.

Saudades de estar em frente a ti
e, em nossa comunhão, sermos um.
Quando os nossos movimentos,
sincronizados e rítmicos,
melodiosos, reinando harmônicos,
fazem a música nosso rebento
é porque chegou enfim o momento
de ter-te, piano, em minhas mãos.

domingo, 7 de março de 2010

Eclipse


O anel de fogo que toma o céu já não me engana mais. A noite me fez aprender a andar no escuro. Quando não há estrelas sobre nós e as nuvens insistem em cinza temo que seja o celeste espelhando a minha alma.

Eu apenas caminhava, sem muitas pretensões, sem rumos definidos, em um belo dia de sol. Dia inesquecível de um sol inolvidável. Mas, quando eu menos esperava, a lua cobriu o sol no único dia em que ele me pertenceu. E num eclipse surpresa que nem os astrônomos previam, a noite engoliu a minha manhã e fez compromisso com as trevas. Minha manhã, agora esposa pelo anel de fogo, atrelou-se ao eterno ocaso. Aquele que nada é, nem nascer, nem findar, mas sim uma encenação, um trote nas horas.

E agora, num revés de vampiro, fico como um morcego. Quem dera pudesse viver à luz do sol, no calor dos raios. Assim penso eu, imagino, sonho e fantasio. São os verbos que me permito conjulgar, além do óbvio voar. Morcego sem noite, pois meu céu é fajuto. É sol disfarçado de lua, é lua vestida de sol. É céu sem estrelas por perto, é nuvem carregada de dor. Morcego em eclipse, homem sem amor.

quarta-feira, 3 de março de 2010

#missingGlee

Dia 13 de abril volta à programação americana o grande sucesso de 2009: Glee. No retorno da série teremos um episódio especial só com músicas de Madonna e participações ilustres como Idina Menzel, Olivia Newton-John, Jennifer Lopez e Neil Patrick Harris.

Vamos relembrar uma das cenas do último episódio?

A série, na última temporada de premiações, recebeu os troféus do Globo de Ouro de Melhor Série Comédia ou Musical e o troféu de Melhor Elenco em Série Comédia ou Musical do SAG (Sindicato de Atores), entre outros. Agora, resta esperar o Emmy 2010 para ver se Glee será lembrado na grande festa da TV americana.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Singular/Plural

Nem vi se eras tu ou outro.
Ou outra.
Ou vários.
Só sei que fui amado.

Quem terá sido este,
ou esta,
ou estes, ou estas,
ou, quem sabe?, istos,
que agora, por sua causa,
sou, assim, tão ...
mas tão ...
amado?

Obrigado por isso;
sejas tu, ou sejam vocês.
Só peço que não pares,
ou que parem.

Me amem.
Sempre,
constantemente,
no singular ou no plural.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Tocaia e cruz

Tocaia! Tocaia!
Encarceraram o meu desejo.
Botaram-lhe sapatos de cimento
e o jogaram ao mar.

Afogado está o meu desejo.
Envolto em cordas,
amordaçado.

Meu desejo está sufocando,
implorando por respirar.
Quem salvará o meu desejo
de uma morte tão desnecessária?

Vítima inocente,
nem teve como se defender.
Foi pego de surpresa,
com palavras doces,
carinhos, gracejos,
e de um pulo ou dois
foi capturado e levado
encapuzado
à masmorra da censura.

Meu desejo foi mantido em silêncio obrigatório.
Só ouvia. Só obedecia.
Seu resgate tem dia e hora marcada.
Mas é tão longe que sustento.
Assim é pior do que saber a hora da morte.
Conhecer à tempos o momento
do próprio renascimento é angústia para o meu desejo.
É o Cristo, o meu desejo,
sacrificado por quem faz as regras.

Coitado, ele vai afundando ...
Veja!
Ele tenta, mas meu desejo precisa de beijos para salvar-se.
Quem dará afago e fogo ao meu desejo?
Quem irá desatá-lo dos nós das mordaças?
Quem quebrará o cimento que o pesa?
Quem salvará o meu desejo?
Quem o desejará?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Tenho o péssimo hábito de perder as coisas

Perco as chaves de casa.
Perco o chão.
Perco a fome de novo. Perco o pão.
Perco as horas no trânsito.
Perco a paciência no trânsito.
Perco a beleza da paisagem,
porque perdi a capacidade de admirar.

Perco os cabelos no trabalho.
Perco a juventude.
Perco a certeza das coisas. Perco a memória.
Perco a cor dos meus cabelos. Perco a história.
Perco o brilho dos meus olhos.
Perco a vontade de jantar.

Perco a vontade de ir embora.
Perco a vontade de ver a hora.
Perco a vontade de ver.
Perco a vontade de te dizer.
Perco você.

Perco a novela das oito.
Perco o jornal.
Perco a sessão de cinema.
Perco o meu animal.
Perco o regador e o adubo.
Perco o meu quintal.

Perco a força nas pernas.
Perco a visão à distância.
Perco a vergonha na cara.
Perco a elegância.

Perco os sonhos antigos.
Perco os projetos futuros.
Perco a luz do luar.
Perco todo o meu sono.
Perco os meus calmantes.
Perco minhas vitaminas.
Perco o meu viço.
Perco as minhas meninas.
Perco o despertador.
Perco a manhã que origina.

Perdi meus dentes de leite.
Perdi meu corpo no fogo.
Perdi minhas cinzas no vento.
Perdi minha alma no mar.
Perdi meus amores pros outros.
Perdi o porquê procurar.
Perdi as chave de casa.
Perdi o que queria encontrar.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

It takes two

Estou tendo um trabalho muito exaustivo, mas, ao mesmo tempo, extremamente saboroso.
Há algum tempo baixei o musical Into the Woods, de Stephen Sondheim. Só que não vinha com legendas. Ok ... eu até assisti, e amei!

Mas eu queria que meus amigos também pudessem assistir. E agora estou legendando-o. Cansa, mas estou adorando.

Confiram a canção It takes two:

P.S.: Queridos ... quando aparece [] é o ~ ou o ç.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Vinte anos blues

Acordei hoje bem cedo (para resolver pendências de documentos - e enfim me matricular na UNIRIO, amanhã). Nesse acordar cedo, ainda estava tudo escuro, mas eu via uma pontinha de sol bem longe. Deitei um pouco, um rápido cochilo, e logo levantei. Que beleza! Eu vi um céu laranja, mas ainda azul de fim de madrugada.

Acho que é assim que me sinto hoje. Vejo o meu futuro laranja, iluminado pelo sol. Mas ainda há no meu céu os rastros da madrugada da adolescência. Essa fase que não é noite nem dia, mas sim a dúvida se sou sol ou se sou lua. Quem dera eu fosse estrela ...

Pois bem. Agradeço a todos e a suas demonstrações de afeto e carinho. Tive uma ótima semana de comemoração com queridos amigos, e ainda terei amanhã e até o domingo! E continuaremos comemorando até que passem todos os sóis e todas as luas. Até virarmos raio de luz, seja da noite, seja do dia.


Eu tenho mais de vinte anos
Eu tenho mais de mil perguntas sem respostas

A Call From The Vatican

Essa cena é de deixar qualquer um de queixo caído!

Minha namorada ainda vai me bater ... rs

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Casta Nobiliária

Minha visão nunca foi sectária.
Sempre a favor da causa proletária,
tenho ação revolucionária,
jamais reacionária.

Por razão prioritária:
não apelar à profissão sicária
para ficar longe da penitenciária.

Já por questão monetária,
não tenho vida perdulária.
E antes de chegar à obituária
quero melhorar minha cota orçamentária.

Minha cara otária
já não é mais necessária.
A sabedoria precária
já é minoritária.

Adeus, rotina sedentária!
Já não sou mais um pária
da vida unversitária.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Teus olhos, menino

Ah, menino!
Como me dói ver estes olhos,
tão belos, tão lindos,
perdidos e sem horizonte.

Ah, menino!
O que é que tua vista procura?
Uma moça? Um rumo?
Teus olhos, menino,
exumo-os das pálpebras caídas
e não há sinal da causa mortis.

Teus olhos, menino,
tão belos, tão lindos,
hão de ter no que fixar-se.
Teus olhos, menino,
perdidos,
irão um dia encontrar outros olhos onde reconhecer-se.

Serão olhos de moça;
ou os teus próprios olhos,
num reflexo da maturidade.
Mas, não perca teu olhar infantil,
tão doce como os teus olhos, menino.
Não perca.

Quero poder vê-lo novamente,
já crescido, homem feito,
e mergulhar na tua história
entre o piscar dos teus olhos, menino.
E lembrar de como era boa a nossa meninice.
Quero encontrá-lo
nos teu olhos, menino.

Clair de Lune

Sim, és tu
Lua azul
a rainha das minhas noites sem sol
Noites sem sal,
noites tão só

Tão só como tu
Lua azul
Brilha e ostenta
ó, Lua azul

Faz de mim
um raio teu,
Lua azul
Faz de mim
um rastro teu,
Lua azul

Tão teu,
eu queria ser
Assim como és do céu
Lua azul

Sim,
ilumina
A noite tão escura sem a tua presença
A noite tão escura sem a tua presença

Sim,
canta com tua voz neblina,
dança com a sua luz albina,
sim,
Lua azul,
és minha harpa, elipse
és minha farpa, eclipse,
Lua azul

Mingua, não
Cheia de si
Crescente em alusão
às novidades de mim

És sim,
Lua azul
A melodia redonda que a noite
faz e refaz a cada adormecer do sol
Sou o teu ocaso
Sou no teu crepúsculo
És a verdadeira aurora,
Lua azul

sábado, 23 de janeiro de 2010

Palavras Benditas

No silêncio da vergonha
palavras são ditas.
Pois é quando o pudor adormece
que o proibido faz a festa.

Essas palavras ditas -
às vezes sussurradas,
às vezes aos gritos -
estão mais despidas que os nossos corpos.

Essas palavras, tão nuas,
tão sujas, tão nossas.,
são palavras vindas do mais puro desejo.
Palavras tão primitivas
quanto o mais puro desejo.

Não são ofensas, ordens,
elogios ou canções.
São os símbolos da nossa vulgaridade,
tão bela quanto a fé.
São palavras ditas para expressar nem sei o quê.
É um gozo verbal.

Palavras primitivas
de um sonho a dois.
Rabiscos que a língua faz
em corpos analfabetos, também primitivos,
também vulgares,
também santos,
também ditos.