quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Sexto Sentido

A luz toca a retina.
Íris, pupila,
globo ocular.
Explosão de cores.
Visão.

O odor toca a narina.
Septo. Cheiros
passeiam no ar.
Explosão de odores.
Olfato.

O gosto toca a língua.
Doce, salgado,
só não pode azedar.
Explosão de sabores.
Paladar.

O som toca o ouvido.
Tom, semitom e
os pássaros a cantar.
Explosão de tambores.
Audição.

O torpor toca pele.
Gelado, calor.
Vem me acariciar.
Explosão de tremores.
Tato.

Enfim o sexto sentido.
É este um sentido à parte,
ou a soma de todos ou outros?
Não posso responder.

E o gozo toca a alma.
Íris, narina, língua,
tom, semitom e calor.
Explosão de sentidos.
Implosão de recatos.
Fundi-se paladar, olfato e tato.
Soma-se visão e audição.
Resulta o mais forte,
o mais perigoso,
o mais real dos sentidos.
Fratura exposta na derme do desejo:
Tesão.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Em janeiro, "Avenida Q" de volta ao Rio!!!

Ao que tudo indica, o espetáculo Avenida Q volta aos palcos cariocas em janeiro de 2010. O musical deve retornar ao Teatro Clara Nunes no Shopping da Gávea.

Enquanto isso ... vamos voltar ao clima da Avenida Q!


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Impressão digital


A polícia chega cerca de 17 minutos após a chamada. Logo os oficiais passam aquela fita amarela em volta da casa. Sobem as escadas e, para os peritos, a cena deixa claro que o crime foi cometido entre às 21h e 22h do mesmo dia. É quase meia-noite agora e o detetive se aproxima do corpo. Um homem, por volta de 30 anos, altura mediana, moreno, está estirado na cama. O sangue que manchava a cama vinha de suas mãos - completamente sem dedos. Foram decepados, disse o detetive.
Alguns minutos depois as evidências são coletadas e levadas para análise. Ao lado do corpo foram encontrados um vestido, uma blusa branca (provavelmente da vítima) toda manchada de beijos vermelhos, alguns fios de cabelo comprido (provavelmente da dona do vestido) e um par de luvas. Os detetives tem a esperança de encontrar vestígios do assassino - seriam as luvas descuido ou afronta?
A casa está livre de pistas, nada leva ao criminoso, mas em compensação o corpo está coberto de impressões digitais. Todo, todo, todo coberto; da cabeças ao pés. (...) Na retirada do corpo, encontraram a carteira do falecido e uma carta embaixo do travesseiro. A carteira tinha dinheiro e os documentos, mas o seu documento de identidade tinha um buraco. Arrancaram a impressão digital do polegar da vítima. É claro que um fato desses faz rostos contorcerem em indagações. Indagações essas respondidas após a leitura da carta:

A quem encontrar essa carta que não se compadeça deste homem estirado sobre a cama. Este cafajeste roubou a minha vida. Me iludiu, disse que me amava e um dia me virou as costas para fugir com uma outra qualquer. Não se explicou e nem se despediu. Desde esse dia perdi a minha identidade. Vaguei sem rumo até descobrir que a vingança seria o meu único refúgio. Então juntei minhas poucas últimas forças e voltei até aqui, até a casa onde este homem me tomou como sua tantas e tantas vezes, para tentar reconstruir a minha identidade. Após matá-lo - e não descrevo tal manobra pois eu mesma não saberia dizê-la - me vi estúpida. De nada adiantou. Eu era ainda a mesma mulher sem rumo de antes. De depois dele. Então fiz a única vingança que ainda me era disponível. Dei a ele de mão beijada o que calhordamente já havia me roubado: a minha identidade. Enchi-o de impressões digitais minhas, enchi-o por todo o corpo. E para completar carreguei comigo a sua identidade. Não me bastavam os dedos. Não queria uma só lembrança de suas impressões.
Nem percam tempo me procurando. Uma mulher sem nome e sem identidade. Sem impressões, mas que ainda impressiona, não?
Gostaria de terminar essa carta com uma gargalhada. Pena que não fiquem bem no papel. Mas, ainda me resta uma última vingança. À meia-noite a casa explodirá e aí sim, nem saberão da minha existência e nada sobrará do canalha. Peço desculpas a vocês, mas na guerra (mesmo na guerra do amor) se perde inocentes.

Só deu tempo de todos olharem para os seus relógios de pulso, para o celular ou para o grande relógio acima da cama e verem os três ponteiros se alinharem no número XII.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Senhor da própria casa

Dou ordens,
e quem me escuta?
Serei eu vítima da minha autoridade?
Onde estão esses indolentes,
insolentes servidores?

Em minha casa quero respeito.
Quero ordem e ...
Mas, quem me escuta?
Estou eu falando sozinho?
Só eu e as paredes que há em mim.
Á minha volta, dentro de mim.

Atenção, atenção!
Ouçam todos!
Organizem a bagunça desta alma,
limpem a sujeira desta mente,
dêem sentido à essa vida.
Façam o que eu digo.
O que eu faço seria sinal de exemplo?
É em mim que o meu eu se espelha.

Ó, Senhor!
Tu que sois onipotente,
onipresente e
onisciente!
Tu que és e que isto a ti basta.
Ajuda-me com estes infelizes que não sabem
uma ordem acatar.
Sou Senhor em minha casa
mas nela não sei mandar.
Sou Senhor em minha casa
mas nela não sei me impor.
Sou Senhor em minha casa
e em minha própria casa não sei morar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Feliz Aniversário, Woody Allen


Hoje o velhinho mais jovem do cinema americano apaga 74 velinhas!

FELIZ ANIVERSÁRIO, WOODY ALLEN!

Depois de nos homenagear ...


Aqui vai a nossa homenagem, Woody querido!

Quem aqui também entraria no clube do Woody???

Frases do Woody:
  • As duas coisas mais importantes na vida são: primeiro o sexo e a segunda eu esqueci.
  • Não quero atingir a imortalidade através de meu trabalho. Quero atingi-la não morrendo.
  • Coerência é o fantasma das mentes pequenas.
  • Eu não costumo pensar em mulheres, a não ser quando estou respirando.
  • A tradição é a ilusão da permanência.
  • O dinheiro é melhor do que a pobreza, ainda que apenas por razões financeiras.
  • O sexo é a coisa mais divertida que se pode fazer sem rir.
  • O sexo sem amor é uma experiência vazia. Mas como experiência vazia é uma das melhores.
  • O dinheiro não dá a felicidade, mas tem uma sensação tão parecida, que precisa um especialista muito avançado para verificar a diferença.
  • Quando eu era pequeno, meus pais descobriram que eu tinha tendências masoquistas. Aí passaram a me bater todo dia, para ver se eu parava com aquilo.
  • Talento é sorte. A coisa importante na vida é ter coragem.
  • Talvez os poetas estejam certos. Talvez o amor seja a única resposta.
Woody nunca deu valor à prêmios ou cerimônias do gênero (para ele, nada mais do que festas políticas). O que ele sempre gostou foi de fazer a sua música, seus filmes e seguir a sua vida. Mas o que, segundo o próprio Mr. Allen, o impedia de comparecer à festa do Oscar era que no mesmo dia ele tinha um compromisso inadiável: tocar com a sua banda de jazz.





E quem venham mais aniversários, mais filmes, mais jazz ...

Dolores, Dolores, Maria das Dores

Criança travessa merece castigo.
Me pune, me pune.

Um dia tive poder -
me tiraram.
Puniram-me e
não sei o porquê.

De vingança, fiz um preparo
de raiva e fúria.
E tomei num só gole
em resposta ao desamparo.

Depois de beber a poção,
deixo de ser-me e
viro o grande Outro.
Agora, ocultada a angústia,
posso seguir com a vingança.

Vens para me penetrar com a tua lança.
E me lanças a mão antes de me laçar entre as pernas.
Me preenche com o teu domínio
e me fere com as tuas formas.
Estou aqui para isso.
Rompes o véu e
ultrapassas as minhas vísceras
chegando enfim ao meu prazer.

Com a dor que me resta
faço o gozo e um espelho.
Me vês como quero que me vejas.
Sou um corpo ou dois.
Sou eu e o outro.
Mas percebes somente o que permito.
Permuto as minhas faces,
mas não os meus vestígios.
Do fundo do meu grito
há horror e sofrimento.
Na base da minha lágrima
há um nu contentamento.

Se fiz assim foi porque quero,
quis e hei de repetir.
Minha vingança é só o início
e dependes de mim para existir.
Minha dor é tua algema,
teu desejo e tua lição.
Criança travessa merece castigo
e dei-me a clara punição.

sábado, 28 de novembro de 2009

Pluma, ninfa, bruma

Deitado vejo
a cortina da minha janela dançar.
O vento é o seu parceiro.
Nesta dança,
o vento faz a cortina revelar a janela.
Como num passo da coreografia -
em que, por acidente, o vestido da menina levanta
e desnuda suas intimidades - no esvoaçar na janela
meus desejos ficam nus.

Com a janela aberta e quase adormecido,
já estou sonhando.
Queria vê-la nua,
assim como o meu desejo.
Nua porque és o que desejo.
E virias com os cabelos dançando com o vento.
E virias lentamente, não como uma pluma,
mas como uma ninfa.
Ou como a bruma,
tão livre dos pecados que já não possui formas para se prender.
No meu sonho, doce em neblina,
dormiríamos juntos - abraçados
e de olhos abertos -
até a última gota de suor morrer cansada em nossos corpos.
Aí sim cerramos os olhos,
e ofegantes ainda,
deitamos e nos vemos.

Olho a janela e é você.
Lá vai você
embora com o vento.
Aumenta o calor no quarto,
a saudade no peito,
o peso nos olhos.

Durmo.
Sonho que estava deitado,
a cortina cai da janela,
mas não vai ao chão.
A cortina cobre um corpo lindo
- ora, é o seu corpo -
e deitas ao meu lado e
me cansas até o eu dormir
no sonho.

E dentro do sonho eu
sonho de novo,
e de novo,
e de novo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Despertar da Primavera

E o corpo mostrou o que já sabia.
O corpo escondia o segredo,
meu corpo escondia.
Agora revelou-me coisas que eu não sentia,
que já sentia,
mas não sabia.

O que corre em meu corpo não é mais só sangue nas veias.
o que corre em meu corpo
ocorre quando estás por perto,
mesmo que o perto seja só
perto do meu pensamento.

O meu corpo mostrou o que já sabia.
O meu corpo despertou o que em mim adormecia.
A natureza, viva e esperta,
ativa e, agora, desperta,
faz crescer em mim um grito
que não é som,
mas sim movimento.
Se estou vestido é para cobrir este movimento vertical
e nada silencioso.
Esse grito do meu corpo
que busca não o céu,
mas sim um refúgio.
Um refúgio, mas não para calar-se.
Um refúgio para ecoar-se.

Meu corpo agora sem vestes ou segredos
quer gemer e soluçar a libertação dos seus medos.
Meu corpo agora sem pudores ou vergonhas
que vestir-se somente com o seu suor.

Meu corpo quer esse canto explosivo.
Meu corpo quer dançar a dança original
na coreografia germinada da semente da maçã.

Quero morder o teu pecado
e beber o sumo do teu sacrilégio.
Vem comigo calar o Deus
que quer punir o desejo.
Vem comigo calar o homem
que quer calar o meu corpo,
o teu corpo
e outros corpos cansados de laços e botões.

Canta e entoa.
Grita e ecoa.
Faz barulho,
cria o som, a música
e o movimento
da melodia do prazer.
Quero viver o infinito desta canção da carne.

Faz calor entre os nossos umbigos e,
fora eles, quem sou eu
se não o teu próprio corpo?
Quem poderá dizer das quatro mãos que correm este novo ser,
uno e indivisível,
uno e inseparável,
uno e inevitável,
quem poderá dizer das quatro mãos qual o par
que a cada um pertence?
Nossas mãos colhem,
nos calos do segredo exposto,
as flores plantadas no Jardim do Éden.

Não importa o tempo.
Não importam as estações.
Sou imortal na primavera
do instante do grito de amor.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Toques

Carinhosa comigo.
É assim que se mostra a mão da mulher ao primeiro toque meu.

Temerosa comigo.
É assim que se mostra a figura da mulher ao segundo toque meu.

Ansiosa comigo.
É assim que se mostra a boca da mulher ao terceiro toque meu.

Enroscada comigo.
É assim que se mostra a perna da mulher ao quarto toque meu.

Preenchida comigo.
É assim que se mostra a vagina da mulher ao quinto toque meu.

Suada comigo.
É assim que se mostra a pele da mulher ao sexto toque meu.

Seis toques meus e a mulher foi minha naquele momento.
Então ela me beija e me fala coisas ao pé do ouvido.
Seu primeiro toque já me faz ninguém.
Seis toques para dominar aquela mulher por um tempo,
um beijo e sua palavra para me dominar para sempre.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Novo trailer! De quê? De NINE!!!!!!!!

Mais e mais ... Nine não acaba jamais!

Sabe as músicas Cinema Italiano e Take it All????????
As que eu pus pra baixar duas postagens abaixo?

Então ... ouças-as aqui!!!


E não volte nunca mais

Vá, mas não demore.

Ah, como dói ver-te partir.
É só fechares a porta e a partir
desse momento não há como apartar
esse meu coração partido
que anseia que estejas por perto.

Pobre coração despedaçado.
Partido é porque foi a sua procura.
Me largou, coração injusto,
que não quer mais o seu dono
e sim a companhia da sua existência.

E eu, sem meu coração,
o quero e quero também a sua permanência.
Somes na primeira esquina e esperar que reapareça é crer na esperança.
Como posso assegurar-me de que estás bem e saudável se não posso te ver,
se não posso te tocar e sentir sua respiração e seu rubor?
Como podes assegurar-te de que estou bem e saudável se levaste contigo a minha paz?
Se meu corpo treme de frio no mais quente verão?
Se minh'alma arde em febre no mais gélido inverno?
Se meu sorriso se desfaz e toca o chão como folhas secas estando nós na viva primavera?
Se minha pele está pálida e esbranquiçada enquanto o outono pinta o horizonte de vermelho?

Não posso suportar a dor de um corpo sem coração.
Para sentir-me preenchido preciso estar ao teu lado.
Volta? Volta logo?
Faz a volta no fim da rua e reaparece aqui na esquina?
Me desperta? Me acorda com um beijo e diz que você nem havia saído da cama?

Se há o que partir, parta a minha dor.
Se há porquê partir, parta para dentro de mim.
E não volte nunca mais
para longe e fora da minha pele.

Fortaleza

Tento ser forte,
mas o máximo que consigo é aparentar.
Minha fortaleza é feita de areia de praia.
Da mais fina areia de praia.
Daquela que, mesmo banhada pelo mar ou moldada por mãos artesãs,
não firma formas e a primeira rajada de vento faz fortaleza virar pó.

Se minha fortaleza é feita de grãos de areia,
se os meus alicerces não tem o que os sustente,
trate com cuidado a princesa na minha torre.
Não pela princesa, ou pela torre,
mas tome cuidado pela fortaleza.
Se a fortaleza vira pó,
se a fortaleza ruir e cair,
não há mais como proteger a torre e a princesa que lá reside.

Sim, "que lá reside".
Esta princesa não é prisioneira.
A torre é a sua morada por opção.
É na torre mais alta da fortaleza onde ela se guarda para aquele que tem a chave.
A chave mestra.
Mas, não basta ter a chave.
Para chegar até a princesa
tem-se que saber pisar com cautela
pois a fortaleza é feita de areia de praia,
lembra?
E qualquer rajada de vento faz fortaleza virar pó.

domingo, 15 de novembro de 2009

Ainda mais de NINE!


Gente! A cada dia mais taquicardia! rs

Vazaram quatro faixas do cd com a trilha sonora de NINE (cd este que só vai sair no dia 22 de dezembro). Baixe-as clicando no nome da música!

Be Italian (Stacy Ferguson, a Fergie dos BlackEyed Peas)

Cinema Italiano (Kate Hudson)

Take it All (Marion Cotillard)

Unusual Way (Griffith Frank - essa música no filme é cantada pela Nicole Kidman - esta é uma faixa bônus do cd)

Estou enlouquecendo com as músicas! Be Italian é legal ... mas já está meio batida. É o tipo de música que agora só vai impressionar no cinema mesmo!
Agora ... Cinema Italiano não sai da minha cabeça! Kate Hudson está dando show!
Take it All acaba com a minha vida. O que é Marion Cotillard???
E Unusual Way está linda na voz desse cantor. Mas isso só faz minha angústia por ouvir Nicole Kidman aumentar!
Enfim ... CHEGA LOGO 15 DE JANEIRO!

sábado, 14 de novembro de 2009

Mais de NINE

Gente ... a cada dia que passa eu fico mais louco!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Agora temos dois pedacinhos do filme! As canções "Cinema Italiano" (composta especialmente para o filme) e "A Call from Vatican".