terça-feira, 21 de julho de 2009

(Macabra) Valsa Lenta

É a tua jugular que me chama.
Quero o teu sangue quente escorrendo
por meus lábios.

À noite, caminharei pelo teu jardim.
Abrirei a tua janela, deitarei sobre ti em tua cama
e afastarei seu cabelo do seu pescoço.
As veias saltarão e clamarão pela minha mordida.
É a tua jugular que me chama.

Assim, neste deleite noturno, soturno
macabro,
farei em teu sangue
a morada da minha eternidade.
E você fará, em meus caninos,
uma festa rubra e densa,
uma valsa lenta
dançada pelos nossos fluidos.

Tua jugular ainda me chama.
E clama, ainda, por mordidas em todas as veias.
Todo o seu corpo é meu por esta noite.
E faremos um bacanal vermelho
cor de sangue nos seus lençóis.
Dali viajaremos mil e tantos anos para o passado.
Dali tirarás teu passaporte para o não-efêmero.

Por esta noite já basta.
Teu sangue saciou a minha sede de ti,
a minha fome de ti.
Durma e descanse
nos resquícios de meus delírios.
Cubro-te com uma manta forte,
para que o vento frio
não te gele os pesadelos.
Saio pela janela aberta, cortinas esvoaçantes,
e flutuo pelo jardim feito pétala, outrora seca,
agora renovada.

Perto do fim, mesmo saciado,
sou sugado de volta aos teus aposentos.
É a tua jugular que me chama.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Aliás, meus caros amigos

Hoje, dia 20 de julho, é dia do amigo. Comemoro este dia graças à vocês, pessoas queridas em minha vida que tenho o prazer de chamar de amigo e de me sentir um também. Aliás, é enorme a alegria de ser apresentado a outro alguém como "Este é George, meu amigo." E não ouvi isso muitas vezes ou de muitas pessoas. Mas, sempre que presencio isso meu coração cai em festejos.
Quando criança meus amigos eram meus pensamentos (meus mais velhos amigos, aliás). Como eu viajava em mundos distantes, aventuras mágicas e desfechos agradáveis! Não, eu não tinha amigos reais. Nem na escola (onde sempre fui posto de lado - ou será que assim eu mesmo me punha?) ou perto de casa (morava em "rua principal", muitos carros - ou seria essa mais uma desculpa?). Não era convidado para festinhas de colegas da escola. Bem, na verdade, teve uma vez em que fui convidado sim. Para a festa do Marco Aurélio (ou Marcos, não me lembro). Foi um dia muito legal, embora eu tenha passado mal e tive que ir embora respirando fundo até chegar em casa para não vomitar no meio da rua.
Também teve o André, que eu poderia considerar um amigo em potencial, rs. Ah, claro! Não poderia esquecer de Janaína, Juliana e Vivian. Eu as considerava sim. Eu era apaixonado por Vivian, rs. E acho que a Juliana gostava de mim, não sei. Mas, nossa amizade foi abalada em decorrência das consequências do meu primeiro beijo, rs. Depois disso muito mudou. Eu mudei bastante. Não pelo beijo, não por isso. Mas, muito aconteceu (esperem um post futuro), e minha personalidade mutacionou.
Já em outra escola, no ano seguinte, fiz mais amigos fui me tornando um ser sociável, rs. Descobri-me capaz de fazer as pessoas rir. Vê-las se divertindo com algo que falo ou faço é tão bom!
E fui indo... Tem a Daniely, claro! Minha amiga 15 anos mais velha que eu. Minha primeira amiga mais velha, rs. Com ela percebi como tenho facilidade em me comunicar com mulheres mais velhas. Aliás, desde sempre era mais fácil para mim comunicar-me com elas. Cito também a minha primeira professora de piano: Marilene. Uma mulher de fibra e sensibilidade que carrego em meu coração!
Quando entrei no Henrique Lage fiz meus primeiros amigos (amigos mesmo) da minha idade: Ruan, Priscila e Roberta. Nós passamos três anos juntos, quase que diariamente, naquela escola maluca onde fomos perseguidos, mas, onde, com certeza, passei momentos inesquecíveis!
De lá, tiro também a já citada Themis. Dessa então, nem sei mais o que posso dizer. Uma amiga incomparável, à qual serei eternamente grato, já que por ela fiz mais amigos queridos como o Waldyr, a Wecyani, a Zervane e a Geisiane.
Ainda no Henrique Lage, tive o prazer de conhecer a Camila. Uma amiga pela qual cultivo grande admiração e carinho. Em nossa história, teremos muitos filmes ainda, não é?
E fui indo! No curso de cinema tenho praticamente todos da minha turma em meu coração! Meus queridíssimos Rômulo, Dyone, Iara, Ana Paula, Dany e Juliana! E o Gera, claro!!!
Tive uma que considerei amiga, conhecida à bocas pequenas pelo apelido de Louca Loura. Mas, nem posso me queixar tanto das ingratidões desta mulher. Por ela conheci pessoas mais do que queridas por mim nos dias de hoje. Primeiramente me levou até Rosane. Uma mulher inteligente e sensível que me proporcionou conhecimentos que irão além das aulas de piano. Por Rosane cheguei à eterna Leda. Uma amiga que me proporciona momentos de gargalhadas à reflexões densas. Uma amiga que tenho orgulho de chamar de amiga.
Ainda cito as divertidas e espoletas, porém singelas e sensíveis, Márcia e Maria Cristina como pessoas queridas que carrego em meu coração. Com elas passo horas batendo papos divertidos e profundos, dos mais variados temas. Refelxões sobre a vida que ficarão para sempre em minha memória.
Esse ano, no pré, tenho o Yan como um amigo querido e que pretendo carregar para além das salas de aula. E a querida Luana, claro!
Lorena, minha amiga, minha amada e minha amante. A mulher que eu amo e que me ouve com atenção comovente. Jamais esquecerei o olhar, o sentimento que ela me passa. Eu te amo, amor!
E tem uma ainda que não citei, e que talvez muitos nem imaginem que eu assim a considero. Mas, esta já me ouviu mais do que muitos, me atura, conhece segredos que muitos desconhecem e está do meu lado há muito já: minha irmã Yasmim.

Ai, queridos todos. Se não te citei, te quero bem equivalente!
Sou muito feliz de tê-los comigo. Aliás, meus caros amigos, eu vos amo e muito!

domingo, 19 de julho de 2009

Por que fazes isso comigo?

Por que fazes isso comigo?
Me beija a nuca,
me morde a orelha,
passeia em mim com sua língua
e depois foge
me deixando à míngua.

Qual o prazer que sentes em me atiçar?
O que é isso que te faz lamber os lábios e depois correr?
És tão ágil em ascender-me em brasas
quanto és para congelar-me com teu olhar.

Pare de jogos e trapaças.
Não me faça mais cair nas armadilhas da tua sedução.
Não sou brinquedo, não. Eu não sou.
Sou homem, tenho carne, e não pelúcia.
Não brinque comigo, querida.

O jogo pode virar.
Um dia te beijarei na nuca,
te morderei a orelha e
passearei em ti com minha língua.
E quando eu parar, virar as costas sem
nem dar adeus, você me perguntará:
- Por que fazes isso comigo?


Porque eu não resisto a você, mas tenho bom senso

sábado, 18 de julho de 2009

Adivinha o que é

O que é isso que carregas aí atrás?
É um presente ou uma ameaça?
Devo apreciar o que tens nas mãos
ou esperar o anúncio da desgraça?

Se for um presente, o que seria?
Perfume, bombons ou lingerie?
Uma carta de amor, uma jóia de valor
ou um buquê de flor é o que trazes para mim?

E se for uma ameaça?
Seria uma arma de fogo, ou seria um punhal,
para ferir meu ser?
Ou um veneno letal,
cuja dose fatal me fará fenecer?

Diga!
O que é que me escondes atrás de você?
Diga!
É sinal de esperança?
Uma pequena lembrança?
Uma fria vingança?

[enfim ele mostra]

É uma aliança

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Labirinto


Sigo os teus passos.
Mas para onde eles me levarão?

Estou perdido no labirinto do teu sorriso.
Tento acompanhar-te em teus caminhos,
mas minhas pernas não são tão compridas quanto os teus sonhos.

Busco teu cheiro entre as paredes do teu silêncio.
Dá-me tua mão para que possas me guiar pela estrada do teu saber.

Procuro, em vão, a finitude do teu imaginário.
Tateio com a língua as curvas do teu corpo;
ainda assim eu não te encontro.

Nossa!
Deparo-me com o Minotauro dos teus sentidos.
Mistério.
Será teu Minotauro ardiloso como a esfinge?
Qual charada terei que desvendar?
Ou será teu Minotauro permutante?
Quererá descobrir-me,
para enfim revelar-se?

Fecho os olhos.
Espero tuas palavras.
Ouço passos.
És tu,
novamente a fugir.
Novos passos.
Sou eu,
novamente a te seguir.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Com ou sem açúcar?

Virou-se pra mim e disse:
- Quer com açúcar, amor?

Já não podia mais dizer que éramos felizes. Pelo menos eu não era - ou não sou (?).

Lá se vão 27 anos de casamento. O amor virou um bom dia na hora do café. A paixão virou a obrigação marital. Nossos beijos perderam a beleza e hoje recebem o mesmo lustra-móveis que a mesa de centro da nossa sala idealizada. Como conseguimos nos tornar dois seres que convivem - só convivem? Como viramos isso? Como deixamos de ser aquilo?

O tango que doutrora dançamos virou um bolero arrastado.
Os passeios viraram exposição pública.
O casamento se revelou instituição.

Virou-se pra mim e disse:
-Amor! Vai querer com açúcar ou não?

Não sei se foram os anos juntos... A aproximação excessiva...
O contato diário fez-me perceber-te comum. Fez-me perceber-me ordinário.

Virou-se pra mim e disse:
- Daqui a pouco eu termino o café e você ainda não disse se quer açúcar ou não.

Fiz que sim com a cabeça.

O que viramos? Procuro tantas respostas. Será que elas não existem? Ou estariam aí as respostas, e nossas perguntas é que estão mal feitas?
Desde que nos casamos viríamos a descobrir muitas coisas. A aprender muitas coisas juntos.
Viramos mais companheiros, mais compreensivos. Em 10 anos de casamento éramos mais maduros, viramos mais amigos. Aos 20 anos tivemos um affair com a nostalgia e rememoramos nossa paixão adolescente. O fogo perdido voltou e viramos namorados, como antigamente.

Virou-se pra mim e disse:
- Quanto de açúcar, amor?

Enfim, virei e disse:
- O de sempre, querida. O de sempre.


Ella Fitzgerald - Miss Otis Regrets (Cole Porter)

sábado, 11 de julho de 2009

Mais um dia / Pedido oblíquo

Passo pelo portão de sua casa e vejo,
novamente, a fachada que tanto contemplei.
Mais um dia e entrarei em tua morada.
Visitante ou invasor? Jamais saberei.

Quero conhecer o lugar onde te escondes.
Descobrir porque entre estes muros te sentes segura.
Saber o que há por trás das paredes e janelas
donde frestas vejo luz em noite escura.

Permita-me ser teu confidente.
Conte-me seus segredos e mistérios.
Conte-me suas verdades e delírios.
Conte-me das viajens nunca feitas.
Conte-me da vontade de ter filhos.

Desnude as arestas da vergonha e
lance-me um olhar, mesmo que escondido.
Mostre quem está vestindo o véu de sombras
que me impede de ver teu sorriso estarrecido.

Desmanche os nós da corda que circunda o teu balanço.
Desenlace-os para que eu possa, enfim, reconhecer-te.
Remexa tuas entranhas e expele o dragão
que quis adormecer-te.

Por favor, atenda-me!
Atenda-me mesmo que seja uma única vez.
Atenda o susurro desta voz que a ti grita, que a ti clama e
que a ti derrama o sentimento real e idealizado
de quem toda noite vê feixe de luz pelas frestas da tua janela.

Não. Não posso mais contentar-me com tua sombra desenhada no chão.
Não posso mais basear-me nos sonhos e fantasias que nasceram de ignorar-me.
Não posso mais segurar-me em teus arremedos de atenção.
Preciso urgentemente segurar-te pela mão, acariciar o teu contorno,
beijar-te, e ter o prazer de te dar prazer.

Permita-me;
Deixe-me;
Conte-me;
Atenda-me, enfim.

Dê-me mais um.
Só mais um dia.

Mais um dia e entrarei em tua morada.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Avenida Q


Assisti no último domingo, dia 05 de julho, no Teatro Clara Nunes.
Ai ai ... EU AMO MUSICAIS mesmo ...

Princeton, um jovem recém-formado procura um apartamento para alugar em Nova York e encontra na Avenida Q uma vizinhança agradável, tanto ao seu orçamento quanto aos novos amigos! Lá ele conhece a trupe de "fracassados" e acaba mexendo na vida de todos eles.
Vale muito a pena assistir! No Rio, fica só até o dia 26 de julho! Corre!

Foi uma emoção assistir ao vivo! Ali na minha frente!!! Aliás ... eu poderia jurar que a Cláudia Netto olhou diretamente para mim no início da peça!!! Foi sim! Minha namorada confirmou que ela e a Renata Ricci se comunicaram visualmente conosco! rs Sonha rapaz ...



Hold your dick, and double click!
http://www.avenidaq.com.br/

terça-feira, 7 de julho de 2009

Old Friends

Amigos ... A gente sempre espera que do outro só venha o melhor dele. Esperamos que os nossos amigos só nos tragam maravilhas
Pior do que um amigo nos magoar é magoarmos um amigo. Isso é horrível, ainda mais para mim. Principalmente quando não era essa a reação que esperávamos. Por mutas circunstâncias podemos entristecer uma pessoa querida. Às vezes sem percebermos.

Deixo aqui essa bela canção de Stephen Sondheim como um pedido de desculpas de amigos para amigos. De mim pra você!
Sondheim compôs essa música para o musical da Broadway "Merrily We Roll Along". Aqui ela é interpretada por George Hearn, Carol Burnett, John Barrowman, Ruthie Henshall and Bronson Pinchot no Broadway Revival "Putting it Together".


Old Friends
(Stephen Sondheim)

Hey, old friend
Are you okay, old friend?
What do you say, old friend
Are we or are we unique?

Time goes by, everything else keeps changing
You and I we get continued next week.

Most friends fade
Or they don't make the grade
New ones are quickly made
Quickly they're no longer new
But us old friend what's to discuss old friend?
Here's to us,
Who's like us?
Damn few.

Hey, old friend
How do we stay old friends
No-one can say, old friends
How an old friendship survive
One day chums, having a laugh a minute
One day comes and they're a part of your lives

Most friends fade
Or they don't make the grade
New ones are quickly made
Quickly they're no longer new
But us old friend what's to discuss old friend?
Here's to us,
Who's like us?
Damn few.

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Agora que entrei na ondas das imagens, não poderia deixar de colocar uma bem-humorada no final!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

03 de julho de 2004


Pois é ... Há 5 anos ...

Neste dia, conheci essa pessoa mui especial que é a Themis! O engraçado é que desde o início já tínhamos uma forte ligação de intimidade e identificação. E não seja como muitos por aí que pensam besteira. Nossa ligação fraternal. Quase mãe e filho!
Nos conhecemos numa situação inusitada. Eu e Priscila, depois de termos nossos uniformes rasgados pelas carteiras da ETE Henrique Lage, fomos no sábado, dia 03 de julho, ao auditório da escola, onde estava sendo realizada uma assembléia. Lá, eu e Pri fomos ao microfone e expomos nossa indignação perante o sucateamento da escola. Themis era uma das mediadoras da assembléia e, após nossa fala, veio até nós para conversarmos. Dali em diante meu amigo, a coisa não prestou.
Eu, Ruan e Priscila fomos estreitando os laços com a "moça do cineclube".
Mas, contar todas as nossas aventuras "daria um blog"...

Deixo aqui então uma homenagem à ela. A deusa grega da Justiça. O exemplo máximo que eu tenho de virtudes. A que demonstra com seus erros o que não devo fazer. A que me fez ver que eu tenho a força sem precisar mudar meu nome pra He-Man. Me ensinou a assistir filmes. Me apresentou pessoas que hoje são verdadeiros ícones de educação, sabedoria e elegância para mim.

Graças à Themis sou menos pior do que eu era. Aprendi muito com essa amiga, quase mãe.

Sou e serei eternamente grato a esta amiga que tanto prezo. Ela sabe.

Obrigado por compartilhar comigo e permitir que eu faça parte da sua vida! Obrigado pelas oportunidades e pelos aprendizados constantes e enriquecedores.

Pois bem ... para que este post não se torne uma (super) babação de ovo e puxa-saquismo de terceiro grau ... deixo claro e sacramentado aqui o quanto eu te amo Theminhas!!!
Feliz bodas de madeira (aproveita e dá três batidinhas! hehehe).


Um dia feliz!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Em crise existencial .............

Estou meio assim, sabe? Mais pra lá do que pra cá ... Só o amigo Lex nessas horas.

Fique então com as palavras de quem merece ser lido: William Shakespeare.


Laurence Olivier, em "Hamlet" (1948)

(Hamlet, Ato III, Cena I)

"Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer..., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis morosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem."

Julgamento Final

Não queria que me olhasses com esse olhar inquisidor.
Mas se é assim, e não tem jeito, peço-te um simples favor:

Não me julgue pela marca de minha mala,
mas sim pela bagagem que carrego.

Não me julgue por meu tamanho,
mas sim pela proximidade da minha cabeça com as nuvens.

Não me julgue pela minha largura,
mas sim pelo número de pessoas que consigo abraçar.

Não me julgue pelos meus sapatos,
mas sim pelas pegadas que deixei.

Não me julgue pelas dívidas,
mas sim pelas promessas cumpridas.

Não me julgue pelos cabelos emaranhados,
mas sim pelo grisalho que se mostra aparente.

Não me julgue pelo meu nome,
mas sim por como sou chamado.

Não me julgue pelos seus amigos,
mas sim pelos meus.

Não me julgue pelas minhas rugas,
mas sim pelas expressões que as marcaram em meu rosto.

Não me julgue pelos dogmas,
mas sim pelas transgressões.

Não me julgue por meus farrapos,
mas sim por meus retalhos.

Não me julgue por meus defeitos,
mas sim pelos meus efeitos.

Não me julgue pela cor da minha pele,
mas sim pela cor onde dança minha alma.

Não me julgue pelos meus sonhos,
mas sim pelo que me faz acordar.

Não me julgue por julgar,
mas sim pelo que você é.

Não julgue os meus olhos,
mas sim o que posso enxergar.

Não julgue minhas lágrimas,
mas sim o que me faz chorar.

Não julgue minhas gargalhadas,
mas sim o sorriso que esboço quando dizes que me ama.

Tente não julgar,
mas sim sentir-me.

Querido amigo Mundo

Olá!, querido amigo Mundo!
Venho aqui pedir que estenda a sua mão.
Estou com muitas dúvidas
e quero que alivies a minha tensão.

Quero viver de amores,
é possível, amigo Mundo?
Oh, jovem sonhador! Claro que não.
Ponha o amor na balança e verás: ele pesa menos que um saco de feijão.

Querido amigo Mundo,
posso viver de dor?
Veja só! ... tão óbvio que não.
Ou queres ser julgado pela sua condição?

Ah, amigo Mundo,
deixa eu viver de poesia?
Faz me rir ... Viver de poesia? Nem pensar!
Vá fazer alguma coisa que te faça faturar.

E se eu viver de riso e abraço,
irei, então, te agradar?
Não seja estúpido, moleque atrevido.
Riso e abraço? Se disser beijinho, eu faço estardalhaço ...

Poxa, amigo mundo ...
Só me disseste "não"!
Deste sorte, pois te dei atenção.
Quando chamam-me, o Mundo,
geralmente nem respondo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

E agora, José?


Estou pesquisando as possíveis carreiras que se encaixam no meu perfil e que não irão me frustrar.
Saber o que quero eu sei. Porque não a escolho logo? Porque essa carreira não me pede Universidade ... E é difícil dizer isso para o resto do mundo (em "resto do mundo" leia-se pessoas cuja opinião me é cara).
Mas, voltando às carreiras ... Passei pelos websites da UFF e vi algumas opções (01, 02 e 03), na UERJ também (01, 02 e 03). Na UNIRIO não me interessei por nada, mas, se fosse fazer, seria Licenciatura em Música. Já na UFRJ (que eu tenho medo!) eu tentaria Letras. E tem a PUC-Rio, onde eu vou tentar Relações Internacionais.

Engraçado ... lendo agora e pesquisando isso tudo, pela PUC, vendo sobre Relações Internacionais me interessei mais por essa bagaça ...
Quem sabe, né?
Até as provas!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

"Eterno" em amor tem o mesmo sentido que "permanente" no cabelo.

(Millôr Fernandes)

Frase certa, não é mesmo?

O "eterno", assim como o "permante" no cabelo, é apenas um adjetivo. E, adjetivos como são, devem apenas classificar um substantivo (calma, gente ... não é papo de vestibulando). Poderíamos então simplesmente dizer que adjetivos não são "eternos" (e nem "permanentes"). Quando usamos um adjetivo, queremos registrar pro infinito o efêmero de um instante. Queremos pausar o mutável para que aquele registro se torne pétreo, mesmo que só em palavras. E isso faz diferença? Resolve o problema? Bem ... Resolver, não resolve. E se faz diferença? Talvez.

Mas, voltando à ideia do Millôr ... Tanto o amor quanto o cabelo precisam de manutenção. O cabelo, por exemplo, temos que penteá-lo todo dia para que ele não embole, aparar as pontas, hidratá-lo, ir ao salão, etc. Pois senão o "permanente" fica ruim.

Assim também é o amor. Temos que tratá-lo com carinho. Temos que aparar as pontas, penteá-lo para não embolar. Temos que hidratá-lo com palavras e atitudes, massageá-lo com versos e paixão. Cuidar do amor e cuidar do cabelo para que eles possam estar sempre eternos e permanentes.

Ué? "Estar"? E porque não "ser"? To be ... Être ...Sabe que no inglês e no francês os verbos "ser" e "estar" são o mesmo? Então. O que "é" e o que "está"? Você "é" feliz ou "está" feliz? A folha de alface "é" verde ou "está" verde? Porque se deixarmos a folha de alface fora da geladeira por um certo tempo ela fica preta. (...)

Quando digo que meu amor é eterno estou eu mentindo? Não. Estou, sim, me comprometendo a sempre mantê-lo viçoso e brilhante, hidratado e desembaraçado. Estou me comprometendo com a manutenção para o que o "eterno" seja eterno. Porque o tempo não é aquele que gira nos ponteiros do relógio.
O tempo é aquele o que fazemos.
O tempo é a duração que nossa alma leva para transcender.
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Este post não tem a intenção de fazer propaganda de salões de beleza, barbeiros ou estabelecimentos do gênero.
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Ah ... e desculpem-me pela imagem abaixo. Mas, não resisti!