quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Fantasma

Cá estou te sentindo perto
Sentimento fantasma
Teu corpo não está ao meu lado
Tua mente, em outro espaço
Teu coração não está em min

Como é possível, então,
Que eu sinta esse calor?

Calor que não esquenta,
Que não conforta

Se você não volta
Porque não me devolve a paz?
Não encontro o meu sorriso
Você levou junto aos souvenirs

Que adeus difícil de dar.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Constatação

Olho para o espaço inabitado em minha cama.
Escuto as palavras engasgadas.
Sob o lençol está inerte a minha ânima.
Eu saio pela rua, trabalho, conheço pessoas.
Nenhuma delas é você.

Atravesso a rua e o sinal estava aberto para mim.
Chego do outro lado e não sei para onde vou.
Chego no destino e nem vi como fui.
Mas fui. Sozinho.

A noite é fria. A noite é quente.
A noite é noite. Independe da gente.
E a manhã virá? Virá. Mas virá sem você.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Doce esbarrão

Virei a esquina e lá estava você
Sorrindo pra lua e carregando o teu instrumento
Que doce noite

Ele nas tuas costas
Eu à tua frente
Não havia som, mas havia música

E eu a via ali
E ouvia o som que você tira das cordas
Como você me toca quando toca o teu instrumento

Boa noite
A gente se esbarra logo, eu espero
Há tanta esquina nessa cidade

Que felicidade será te ver sorrindo pra lua
Ou, sob a lua, te ver sorrindo pra mim

Que doce música eu ouviria nesta noite

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Você de azul

Oi
Sonhei com você
Você estava de azul
Foi aí que vi que era sonho
Você quase não usa azul
Eu andava na praia
E eu quase não vou à praia -
sonho, só podia ser -
E andava na areia,
pisava na espuma
E você vinha lá no horizonte
que sonho bonito
Estava sol
Um calor aconchegante
Aquele quentinho de colo e edredom
E você vinha, de azul
Os cabelos voavam
Seus cabelos
presos daquele jeito que eu acho lindo
E você vinha, de azul
E eu andava na areia
pisando em lembranças
digo, em espumas
E você vinha
seus cabelos voavam
Estava um dia tão lindo
Mas era sonho
Você chegou bem perto
Me deu um beijo
Nos deitamos na areia -
areia
essa coleção de destroços -
eu pisava em lembranças
Não, nós estávamos deitados
na areia
E você me beijava
E eu te beijava
E nós sorríamos
Felizes
Juntos
Foi aí que eu vi que era sonho
Você quase não usa azul

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Dúvida matinal

Onde é que eu estou com a cabeça?
Onde é que eu estou com o coração?
E nesse lugar; que lá permaneça
ou de lá se transformarão?

domingo, 14 de setembro de 2014

Sentimento Amputado

Bisturi cego.
Sem ponto. Sem anestesia.
Me amputaram um sentimento.
Doutor, qual o tratamento?
Existe prótese para o coxo coração?
O que eu faço, moço?
Tem muleta pra eu seguir o caminho?

Atadura frouxa.
Tala inútil.
Não desfaz a fissura.
Não refaz a conexão.
O que se faz se jaz inerte o músculo cardíaco?
Não bate. Não pulsa. Não jorra. Não bombeia.
Implode.

Bisturi cego. Médico mudo.
Não tem palavras, doutor?

Cego também o paciente.
Impossível ler a receita.
Se nada reendireita,
sigo coxo.
Coração frouxo, cego.
Calado. Inútil.

sábado, 13 de setembro de 2014

Sem saída

Fim da estrada.
Fim da canção.
O amor encontrou o final do arco-íris.
Não há pote de ouro.
Há mar revolto em busca de calmaria.

Fim da estrada.
Qual a rota a seguir?
Se acaba o asfalto eu me arrasto
pelo mato?
Não tem terra, não tem via.
Há um rio que corre entre pedras.

Fim da estrada.
E não há sinal de retorno.
Túneis? Pontes?
Por onde se inicia a nova travessia?
Sem mapa, sem estrelas, sem direções.
Se até poesia tem fim
como o amor não acabaria?

domingo, 7 de setembro de 2014

Propícia estação

Escondi do sol.
Cortei o adubo.
Parei de regar.
O amor floresce sem alimento.

Salguei a terra.
Queimei a raiz.
Envenenei as suas folhas.
O amor floresce sem razão.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

domingo, 24 de agosto de 2014

24 / 21

Hoje é dia vinte e quatro. Veja você.
Dia que foi de beijo, que foi desejo,
que foi festa.
Dia de comemorar o dia que começamos.
Todo mês, sem dor ou talvez,
naturalmente era o nosso dia certeiro
o dia vinte e quatro.

Aí, sem talvez nenhum,
tudo acabou num dia vinte e um.

Hoje, o dia vinte e quatro é só um dia vinte e quatro.
Mas o que dizer dos novos dias vinte e um...

sábado, 23 de agosto de 2014

It ended in the end of July

It ended in the end of July.
I cried and asked "why?".
Then August came
and this old flame
was still burning (in) my heart.
Now the winds bring September.
Will it dismember me
or allow a whole new start?

Untill the next year
when July'll be over again
I'm not able to know
what is past, what is remain,
what is gone and what lasts.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A dor não é líquida

Incolor, insípida, inodora.
Nem a água é indolor.
Tanto bate até que fura.

domingo, 17 de agosto de 2014

Canção do não-adeus

Estranho ser ninguém na sua vida.
Já não sou nem pedra no caminho.
Minha boca não é mais a preferida.
Eu perdi o gosto do seu carinho.

Onde foi parar tanta promessa?
Onde estarão as palavras de futuro?
Quando começou a tua pressa
de me largar sozinho no escuro?

Sem você tudo é frio, é tão gelado.
Sem você o nada é nova companhia.
Se lá fora o céu era cinza, era nublado,
no quarto o sol queimava toda ira.

Estranho ver alguém na sua vida.
Já há nova rota, eu sou velho caminho.
Nova boca é a tua preferida.
Novo lábio saboreia o teu carinho.

Onde foi parar tanta promessa?
Onde estão as lembranças do passado?
Quando começou a tua pressa
de buscar um novo ar, um outro amado?

Sem você continuo sob a neve.
Não busquei uma nova companhia.
Se lá fora o dia é quente, se o dia é leve,
no quarto pesa a ausência, pesa a apatia.

Estranho dar adeus à nossa vida.
Trilhar sem você o meu caminho.
Descobrir, virá nova preferida?,
E se há vida após nosso destino.

Tudo o que é nosso

Tudo o que é nosso
             sem nós
                   fica só.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Three Little Words

Lembre das três palavras -
sempre fogo, sempre lava.
Lembre de cada palavra,
quem sabe forja, quem sabe crava.
Lembre, se é que há palavra.