segunda-feira, 17 de maio de 2010

Conto de fadas

Minha esposa cada dia é uma coisa,
cada dia uma surpresa,
uma beleza de emoção.

Essa mulher vira quem ela quiser,
faz da casa um teatro,
um show de interpretação.

Faz Amélia, faz Jocasta,
faz Maria, faz de graça
as feminas que ela quer.
É Penélope,
é Medéia,
Marquerite, Dulcinéia,
é a minha Capitu.

Minha esposa, quando em casa,
pode ser tantas que eu não vi.
Lady Macbeth, Julieta,
Lolita,
Emma Bovary.

Mulher do médico, Karenina,
minha esposa é minha menina,
minha Lolita, minha Polyana.

Mas chega uma hora
(e é a hora da cama)
em que eu digo:
Chega de drama.
Vem ser real,
ser minha mulher.

sábado, 15 de maio de 2010

P.S. ao Pouca vergonha!

Estou tão leve agora ...

Pouca vergonha!

Não acompanhei a novela Viver a Vida, que acabou ontem- e aliás me emocionei com o depoimento de João Carlos Martins. Mas não é sobre isso que quero falar. Pois bem, não acompanhei a novela, como já venho há tempos perdendo o hábito de assistir televisão (a internet está, sim, substituindo). Porém, o que acompanhei foram as discussões sobre a novela. Quanta gente reclamando da pouca vergonha dessas novelas de hoje em dia: homem com homem, mulher com mulher, casamento desfeito, ménage à trois, ...

Gente! E isso é pouca vergonha?

Veja bem. O que é pouca vergonha? Isso?


Ou isso?


Putaria não é na cama,
não é no escuro, não é na lama.
Sacanagem não é a transa,
não é o corpo, não é a foda.
Sacanagem, putaria mesmo,
aquela suja,
é o que fazem com quem nada pode.
Com o que não sabe ler,
escrever,
falar,
com o que não sabe lutar.
Aí, sim.
Somos estuprados.
Fodidos por caralhos gigantes
que arrombam os corações dos inocentes.
Somos vítimas da pior sacanagem.
Somos invadidos por impostos que nada fazem
a não ser encher o bolso dos filhos da puta que mandam por aí.
Isso sim, meus amores,
é pouca vergonha.

domingo, 9 de maio de 2010

Conscientemente

Diz o wikipédia:
a consciência é uma qualidade da mente.
E eu pergunto:
a verdade é consciente?
Pois há quem minta inconscientemente.
E tem aqueles que o fazem conscientemente.
No sono ou na vigília,
se fantasia.
O que não é verdade,
logo é mentira?
Então me tira essa dúvida:
o homem consciente mente?
O inconsciente mente compulsivamente?
Ou é tudo natureza da mente?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Pessoas fracas

Pessoas fracas não vão a lugar algum.
Mas de onde vem a coragem se ela não é um estado comum?;
pelo menos nas pessoas fracas.

Pessoas passivas vêem a vida passar.
Sofrem com a própria agressividade, que contida,
recai sobre si próprias.

Pessoas fracas merecem viver?
Pessoas passivas conseguem vencer?
Pessoas paradas conseguem correr?
Pessoas fracas merecem viver?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

II - Resposta à tua resposta

Menino, menino,
sei bem o que faço.
Cuidado, cuidado,
que isso causa embaraço.

Garoto, garoto,
a escolha está feita.
Querido, querido,
logo tudo se ajeita.

Devagar, devagar,
vivo a vida pra valer.
Alerta, alerta,
por quê me repreender?

Quem és tu, quem és tu,
pra meter o nariz?
Verás tu, verás tu,
eu serei - e muito - feliz.

I - Resposta à tua decisão

Menino, menino,
veja bem o que faz.
Cuidado, cuidado,
isso é besteira, rapaz.

Garoto, garoto,
que escolha é essa.
Querido, querido,
a vida passa depressa.

Devagar, devagar,
pense mais uma vez.
Alerta, alerta,
pra que tanta altivez?

Quem és tu, quem és tu,
que não precisa de nós?
Verás tu, verás tu,
serás teu próprio algoz.

sábado, 1 de maio de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

La vie en gris

Meus lábios não são mais vermelhos.
Meus olhos não são cor de mel.
Minha pele não é mais morena.
Meu sorriso, nem amarelo é mais.
Minha vida é cinza, querida,
não tem graça, não tem cor.
Sem ser preto ou branco,
insosso cinza parede.

Mais cedo ou mais tarde

Mais cedo ou mais tarde chegará a sua vez.
Chegará a minha e será de uma só vez.
Mais cedo ou mais tarde o gato e a galinha,
a laranjeira e a vovozinha.
Mais cedo ou mais tarde seus sonhos
e os meus pesadelos,
sua força e os meus cabelos,
tudo se findará.
A terra gira e a cada virada caem milhões.
Um dia seremos nós.
Mais cedo ou mais tarde chegaremos ao fim:
câncer, velhice, acidente de moto,
tiro na testa, veneno de rato,
não importa como, a morte nos encontrará.
Nós a encontraremos.
Encontro marcado ou visita inesperada.
Mais cedo ou mais tarde
chegaremos ao fim.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Minha nega não me nega

Quando subo a favela
é ela que está na janela.
Panela no fogo,
cheirinho de feijão,
perfume de alvejante,
é minha nega no portão.

Um beijo contido
pro povo não falar.
Eu entro corrido
pra poder descansar.
Sentado eu digo:
o que fez tu, mulher?
E ela responde:
esperei o meu nego
que veio da rua
dizer o que quer.

Mulher como a minha nega
não se encontra mais.
Pode procurar, fazer propaganda,
estampar nos jornais.
Mulher, como a minha nega,
que lava, cozinha
e de noite chamega,
é ela e não tem outra,
é a minha nega que não largo jamais.

E ela canta e sorri
quando eu subo a favela.
É ela que faz de mim um homem feliz.
É ela que não me nega
não importa as vezes que o galo cantar.
Eu, o seu nego,
só dela e de mais ninguém.
Sou o nego dela
e não nego o amor que essa nega me tem.

domingo, 18 de abril de 2010

A porta (?)

Qual a porta?
Pra onde leva a porta?
Ao quarto ao penhasco?
À cama?
Que cama?
Ao leito irei,
mas para que sono?
Frustrado? Eterno?
Em tempo?
Mas que tempo?
Não há mais tempo -
ouço a batida na porta.
Batem? Batem ...
Mas em que porta?