sábado, 15 de maio de 2010

Pouca vergonha!

Não acompanhei a novela Viver a Vida, que acabou ontem- e aliás me emocionei com o depoimento de João Carlos Martins. Mas não é sobre isso que quero falar. Pois bem, não acompanhei a novela, como já venho há tempos perdendo o hábito de assistir televisão (a internet está, sim, substituindo). Porém, o que acompanhei foram as discussões sobre a novela. Quanta gente reclamando da pouca vergonha dessas novelas de hoje em dia: homem com homem, mulher com mulher, casamento desfeito, ménage à trois, ...

Gente! E isso é pouca vergonha?

Veja bem. O que é pouca vergonha? Isso?


Ou isso?


Putaria não é na cama,
não é no escuro, não é na lama.
Sacanagem não é a transa,
não é o corpo, não é a foda.
Sacanagem, putaria mesmo,
aquela suja,
é o que fazem com quem nada pode.
Com o que não sabe ler,
escrever,
falar,
com o que não sabe lutar.
Aí, sim.
Somos estuprados.
Fodidos por caralhos gigantes
que arrombam os corações dos inocentes.
Somos vítimas da pior sacanagem.
Somos invadidos por impostos que nada fazem
a não ser encher o bolso dos filhos da puta que mandam por aí.
Isso sim, meus amores,
é pouca vergonha.

domingo, 9 de maio de 2010

Conscientemente

Diz o wikipédia:
a consciência é uma qualidade da mente.
E eu pergunto:
a verdade é consciente?
Pois há quem minta inconscientemente.
E tem aqueles que o fazem conscientemente.
No sono ou na vigília,
se fantasia.
O que não é verdade,
logo é mentira?
Então me tira essa dúvida:
o homem consciente mente?
O inconsciente mente compulsivamente?
Ou é tudo natureza da mente?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Pessoas fracas

Pessoas fracas não vão a lugar algum.
Mas de onde vem a coragem se ela não é um estado comum?;
pelo menos nas pessoas fracas.

Pessoas passivas vêem a vida passar.
Sofrem com a própria agressividade, que contida,
recai sobre si próprias.

Pessoas fracas merecem viver?
Pessoas passivas conseguem vencer?
Pessoas paradas conseguem correr?
Pessoas fracas merecem viver?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

II - Resposta à tua resposta

Menino, menino,
sei bem o que faço.
Cuidado, cuidado,
que isso causa embaraço.

Garoto, garoto,
a escolha está feita.
Querido, querido,
logo tudo se ajeita.

Devagar, devagar,
vivo a vida pra valer.
Alerta, alerta,
por quê me repreender?

Quem és tu, quem és tu,
pra meter o nariz?
Verás tu, verás tu,
eu serei - e muito - feliz.

I - Resposta à tua decisão

Menino, menino,
veja bem o que faz.
Cuidado, cuidado,
isso é besteira, rapaz.

Garoto, garoto,
que escolha é essa.
Querido, querido,
a vida passa depressa.

Devagar, devagar,
pense mais uma vez.
Alerta, alerta,
pra que tanta altivez?

Quem és tu, quem és tu,
que não precisa de nós?
Verás tu, verás tu,
serás teu próprio algoz.

sábado, 1 de maio de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

La vie en gris

Meus lábios não são mais vermelhos.
Meus olhos não são cor de mel.
Minha pele não é mais morena.
Meu sorriso, nem amarelo é mais.
Minha vida é cinza, querida,
não tem graça, não tem cor.
Sem ser preto ou branco,
insosso cinza parede.

Mais cedo ou mais tarde

Mais cedo ou mais tarde chegará a sua vez.
Chegará a minha e será de uma só vez.
Mais cedo ou mais tarde o gato e a galinha,
a laranjeira e a vovozinha.
Mais cedo ou mais tarde seus sonhos
e os meus pesadelos,
sua força e os meus cabelos,
tudo se findará.
A terra gira e a cada virada caem milhões.
Um dia seremos nós.
Mais cedo ou mais tarde chegaremos ao fim:
câncer, velhice, acidente de moto,
tiro na testa, veneno de rato,
não importa como, a morte nos encontrará.
Nós a encontraremos.
Encontro marcado ou visita inesperada.
Mais cedo ou mais tarde
chegaremos ao fim.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Minha nega não me nega

Quando subo a favela
é ela que está na janela.
Panela no fogo,
cheirinho de feijão,
perfume de alvejante,
é minha nega no portão.

Um beijo contido
pro povo não falar.
Eu entro corrido
pra poder descansar.
Sentado eu digo:
o que fez tu, mulher?
E ela responde:
esperei o meu nego
que veio da rua
dizer o que quer.

Mulher como a minha nega
não se encontra mais.
Pode procurar, fazer propaganda,
estampar nos jornais.
Mulher, como a minha nega,
que lava, cozinha
e de noite chamega,
é ela e não tem outra,
é a minha nega que não largo jamais.

E ela canta e sorri
quando eu subo a favela.
É ela que faz de mim um homem feliz.
É ela que não me nega
não importa as vezes que o galo cantar.
Eu, o seu nego,
só dela e de mais ninguém.
Sou o nego dela
e não nego o amor que essa nega me tem.

domingo, 18 de abril de 2010

A porta (?)

Qual a porta?
Pra onde leva a porta?
Ao quarto ao penhasco?
À cama?
Que cama?
Ao leito irei,
mas para que sono?
Frustrado? Eterno?
Em tempo?
Mas que tempo?
Não há mais tempo -
ouço a batida na porta.
Batem? Batem ...
Mas em que porta?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sue Sylvester - a Diva!

Madonna ou Sue?

Veja Jane Lynch (indicada ao Globo de Ouro 2010 de Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para TV) no papel de Sue Sylvester. É a primeira música da personagem na série. Este clip passou no final do episódio 14 (Hell-O), exibido nesta terça, dia 13 de abril, nos EUA, como um promo para o próximo episódio entitulado de "The Power of Madonna".

Sue Sylvester dance on air / William Schuester I hate you

Veja aqui o original com Madonna.

Sala de Espera

Cheguei mais cedo do que devia. São nove horas da manhã e minha consulta é só às dez e vinte. Pois bem. O que me custa esperar, não?
Não posso esquecer de contar tudo ao doutor. A dor que me acomete toda noite. Durmo sofrendo. Acordo no meio da madrugada, aos prantos - tive um pesadelo. Não durmo mais. Desabo. Me levanto quase meio-dia, e a manhã já se foi. Como qualquer coisa, doutor, nem sei o que ponho pra dentro. À tarde, trabalho um pouco, dou um jeitinho na casa e logo sinto as dores. Sofrendo, doutor. A dor me passa pelo corpo todo. Sento na poltrona, ligo o rádio e música me toca. Profundo. As lembranças, ai, doutor, me dói tanto. Agora é a cabeça. Tudo gira e se levanto não mexo as pernas. Sento novamente, desligo o rádio e os braços reclamam. Carregam tanto fardo, doutor. Esses braços não param. Carregam, levantam, puxam, empurram. Só não me seguram. Vou até a cozinha, fazer um café, beber uma água gelada, ai, doutor, me dói a garganta. Já nem choro mais - economizo uma dor. Preparo uma jantinha, coisa rápida, doutor. Tomo banho e água quente me faz tremer. Banho gelado, também. Me dói ficar limpo. Vou pra cama, sabe, doutor, e o sono não vem. Acaba a novela e me dói saber que mais um dia foi embora.
Quinze para as dez. Que demora. Não posso esquecer de contar tudo ao doutor. Das dores nas juntas. Contar ao doutor que enxergo mal - já nem me percebo mais quando passo em frente ao espelho. Me dói o ouvido esquerdo. O direito também. Está difícil ouvir minha própria voz, doutor. Quase dez horas. Vou recordando aqui antes da consulta. Assim não me esqueço.
A atendente chamou o meu nome. Obrigado menina, posso entrar? Pode. Bom dia, doutor. Novidade? Nenhuma. É o mesmo de sempre. Apenas uma dorzinha, boba, que dá quando eu vejo que não posso mais voltar atrás. O tempo passa, doutor. E isso dói. Tem cura? Tem remédio, doutor? Você pode esperar. O tempo passa, mas é você quem escolhe pra onde passa com o tempo. Eu sei, doutor. Mas, escolher não é fácil. Não se pode esperar para sempre. Em algum momento você terá que escolher. Eu sei, doutor. Mas dá uma olhadinha nessa dor nas minhas costas primeiro, sim?