quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sala de Espera

Cheguei mais cedo do que devia. São nove horas da manhã e minha consulta é só às dez e vinte. Pois bem. O que me custa esperar, não?
Não posso esquecer de contar tudo ao doutor. A dor que me acomete toda noite. Durmo sofrendo. Acordo no meio da madrugada, aos prantos - tive um pesadelo. Não durmo mais. Desabo. Me levanto quase meio-dia, e a manhã já se foi. Como qualquer coisa, doutor, nem sei o que ponho pra dentro. À tarde, trabalho um pouco, dou um jeitinho na casa e logo sinto as dores. Sofrendo, doutor. A dor me passa pelo corpo todo. Sento na poltrona, ligo o rádio e música me toca. Profundo. As lembranças, ai, doutor, me dói tanto. Agora é a cabeça. Tudo gira e se levanto não mexo as pernas. Sento novamente, desligo o rádio e os braços reclamam. Carregam tanto fardo, doutor. Esses braços não param. Carregam, levantam, puxam, empurram. Só não me seguram. Vou até a cozinha, fazer um café, beber uma água gelada, ai, doutor, me dói a garganta. Já nem choro mais - economizo uma dor. Preparo uma jantinha, coisa rápida, doutor. Tomo banho e água quente me faz tremer. Banho gelado, também. Me dói ficar limpo. Vou pra cama, sabe, doutor, e o sono não vem. Acaba a novela e me dói saber que mais um dia foi embora.
Quinze para as dez. Que demora. Não posso esquecer de contar tudo ao doutor. Das dores nas juntas. Contar ao doutor que enxergo mal - já nem me percebo mais quando passo em frente ao espelho. Me dói o ouvido esquerdo. O direito também. Está difícil ouvir minha própria voz, doutor. Quase dez horas. Vou recordando aqui antes da consulta. Assim não me esqueço.
A atendente chamou o meu nome. Obrigado menina, posso entrar? Pode. Bom dia, doutor. Novidade? Nenhuma. É o mesmo de sempre. Apenas uma dorzinha, boba, que dá quando eu vejo que não posso mais voltar atrás. O tempo passa, doutor. E isso dói. Tem cura? Tem remédio, doutor? Você pode esperar. O tempo passa, mas é você quem escolhe pra onde passa com o tempo. Eu sei, doutor. Mas, escolher não é fácil. Não se pode esperar para sempre. Em algum momento você terá que escolher. Eu sei, doutor. Mas dá uma olhadinha nessa dor nas minhas costas primeiro, sim?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

José, para onde?



Fugi.
Não quero enfrentar.
Quero sumir;
para então me encontrar.
Será?
Será que me encontro?
Ou este é mais um conto-fantasia
fingindo que noite é dia
para sol no céu haver?

Fingir;
outra forma de fuga.
Não se sabe para onde ruma,
e, no chão, o pé que pisa
nem mesmo realiza
que são de areia movediça
as tábuas sob este solado.

Fugir
das fugas e das mentiras.
Mas verdades são sofridas
e elas não quero ver.

Crescer,
para parar de fugir.
Crescer,
para parar de fingir.
Crescer?
Eu quero sumir.

Toma tino, criança.
Tenha esperança, menino.
Veja o caminho à frente
e siga.
Não fuja mais do sofrimento.
Não vês? - sofres mais no fingimento,
e com ele faz sofrer.

Não vês?
Fingindo, vais mais longe de si mesmo.

Siga,
mas de olhos bem abertos.
Sem fingir, fugir,
sem planos de sumir.
Vá que o caminho é certo.
Mas o que há nele
não posso prever.

Incertos somos todos,
vá certo disto.
Dúvidas são como o resto,
sinta. Mas não se deixe levar.
Vá em verdade,
melhor caminho, não há.

Tempestade

Cai a chuva
e logo é temporal.
Não tivemos tempo;
molharam as roupas do varal.

Tempestade, tempestade,
com seus raios e trovões,
faz de mim, um céu escuro,
luz e fogo com os teus clarões.

As gotas - tão pesadas -
caem como bombas.
Mísseis planejados?
Não sei.
Minha pólis devastada
já não posso responder.
Meu chão não tem fronteira
pra reter o temporal.

Alaga minhas vias,
faz correr nas minhas ruas
o mar de sofridão.
Lágrimas caídas dos olhos de lua,
maré sobre faces,
desaguou coração.

A chuva parou.
Logo secarão as roupas do varal.
Mas não secará a dor encharcada
de sangue e de lágrimas
que a tempestade trouxe ao meu céu escuridão.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Noites afora

Quando chego em casa, de madrugada, abro a porta e as lágrimas caem. Parece que passo por um portal que me leva de uma dimensão à outra. Não sei dizer se é melhor a rua. Mas minha morada me prende e me liberta. Meu corpo é minha própria jaula e meu único bem. Minha chave e fechadura. Mas para que lado gira a chave para abrir a porta?
Nos meus cômodos inquietos, o chão molhado de angústias, vejo vestígios do que passou por ali: cacos de uma fotografia distorcida pelas olhos marejados; sons distorcidos pela voz embargada. Esses destroços espalhados pelo chão são o espelho de minha morada. Estou em pedaços. E se tento reuni-los percebo que não é tarefa equivalente ao jogo de quebra-cabeças. Minhas peças são disformes e não se encaixam. Não sei já se encaixaram ou se ainda se encaixarão (talvez nem dentro do caixão).
Inteiras são as minhas dúvidas, por isso vago noite adentro. E quanto volto para casa, percebo que permaneço na rua, ou melhor, me perdi num beco sem saída. É nas noites adentro que tento entender o se passa dentro de mim. É nas noites afora que me perco mais e volto para fora de onde nunca pisei.

Hoje eu

Hoje vi as cores do arco-íris
e olhei para a minha pálida tez.
Hoje ouvi os pássaros cantando
e escutei o meu silêncio abstêmio.
Hoje senti o cheiro das rosas
e inalei minha falta de odor.
Hoje bebi da água da chuva
e lambi a lágrima que chegou à minha boca.
Hoje queimou-me o sol do meio-dia
e gelou-me o frio da espinha.
Hoje mais um dia foi vivido
e com certeza não foi por mim.

Queria lhe contar tantas coisas

Queria lhe contar tantas coisas.
Mas o tempo não o há.
Não que me falte; o tempo.
Mas o tempo das coisas que quero lhe contar
ainda não ocorreu.
Esse tempo esperado, ainda não tive.
Nada posso contar-lhe.
Tenho pressa para certas coisas,
mas em pressa as coisas não saem certas.
Falta-me tempo para as certezas,
sobra-me tempo para a espera.
Queria lhe contar tantas coisas.
Mas agora o nosso tempo acabou.

Unos plurais

Unidade pluralizada;
pluralidade una.

Nós está;
a gente estamos.

Erros da língua portuguesa que nos fazem um.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Minha queda

Estou a dois passos do meu próprio abismo.
Se cair, caio dentro de mim.
Não há fuga para os solitários.
Não há rumo para os sem destino.
Não há vida para os mortos-vivos.
Para esses há apenas a infinita queda
que leva ao seu próprio inferno,
ao rio que corre lá em baixo.
Correnteza de sangue,
queda d'água.
Queda enfim,
no abismo dentro de mim.

segunda-feira, 29 de março de 2010

sábado, 27 de março de 2010

Relações Internacionais? Que troço é isso?

Conteúdo retirado do site Guia do Estudante.

E é o quê?
É a condução das relações entre povos, nações e empresas nas áreas política, econômica, social, militar, cultural, comercial e do Direito. Esse bacharel analisa o cenário mundial, investiga mercados, avalia as possibilidades de negócios e aconselha investimentos no exterior. Promove entendimentos entre empresas e governos de diferentes países, abrindo caminho para exportações, importações e acordos bilaterais ou multinacionais. A internacionalização da economia amplia o campo de atuação desse profissional, que pode trabalhar em ministérios, embaixadas e consulados, grandes empresas, bancos e ONGs.

O mercado de trabalho
O mercado para o bacharel continua em expansão. Nos últimos cinco anos, foram criadas oportunidades principalmente em grandes empresas do setor privado, de olho nos profissionais que tenham visão global e diplomacia para ocuparem posições de gestão. Multinacionais como AmBev, Danone, Unilever e Vale oferecem vagas para trainees, que podem atuar no país ou no exterior. Para quem já tem experiência, instituições financeiras como o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Mundial, além de organizações intergovernamentais internacionais, entre elas a ONU, a Unesco, a OMC e a OEA, oferecem boas chances de trabalho, ainda melhores para aqueles que investem numa pós-graduação no exterior. No Brasil, concursos públicos de órgãos como os Tribunais de Contas estaduais e da União e o Itamaraty quadruplicaram o número de vagas em três anos. Os postos de trabalho estão concentrados no eixo Rio - São Paulo e em Brasília (DF), mas novas vagas aparecem nas capitais dos estados do Sul, como Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS), por causa da proximidade com os países do Mercosul. Em Cuiabá (MT), polo importante para os agronegócios, as oportunidades são promissoras principalmente na área de consultoria para os pequenos e médiosexportadores. Macaé (RJ), região petroquímica, já oferece postos de trabalho, e a previsão é que dobrem nos próximos anos. O mercado para o bacharel continua em expansão. Nos últimos cinco anos, foram criadas oportunidades principalmente em grandes empresas do setor privado, de olho nos profissionais que tenham visão global e diplomacia para ocuparem posições de gestão. Multinacionais como AmBev, Danone, Unilever e Vale oferecem vagas para trainees, que podem atuar no país ou no exterior. Para quem já tem experiência, instituições financeiras como o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Mundial, além de organizações intergovernamentais internacionais, entre elas a ONU, a Unesco, a OMC e a OEA, oferecem boas chances de trabalho, ainda melhores para aqueles que investem numa pós-graduação no exterior. No Brasil, concursos públicos de órgãos como os Tribunais de Contas estaduais e da União e o Itamaraty quadruplicaram o número de vaga sem três anos. Os postos de trabalho estão concentrados no eixo Rio - São Paulo e em Brasília(DF), mas novas vagas aparecem nas capitais dos estados do Sul, como Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS), por causa da proximidade com os países do Mercosul. Em Cuiabá (MT), polo importante para os agronegócios, as oportunidades são promissoras principalmente na área de consultoria para os pequenos e médiosexportadores. Macaé (RJ), região petroquímica, já oferece postos de trabalho, e a previsão é que dobrem nos próximos anos.

O curso
O currículo divide-se em três grandes áreas: política, direito e economia. Durante o curso, você estuda muita sociologia, economia e história. Além disso, tem aulas práticas com simulação de negociações políticas, empresariais, comerciais e diplomáticas. É uma graduação que exige bastante leitura e o domínio de línguas estrangeiras – o inglês é indispensável. A maioria das escolas exige que seus alunos façam estágio em empresas ou instituições públicas ou privadas com atuação internacional. É obrigatória a realização de um trabalho de conclusão de curso.

Duração média: quatro anos.

O que você pode fazer
Agências governamentais: Planejar ações dos governos federal, estadual ou municipal nos setores político, econômico, comercial, social e cultural.

Analista internacional: Coletar dados e elaborar relatórios sobre a conjuntura internacional para órgãos governamentais, empresas privadas e ONGs. Participar da elaboração de programas de cooperação com outras nações.

Comércio exterior: Identificar oportunidades de comércio com outros países e intermediar a importação e a exportação de produtos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

1 ano de namoro

O mais belo poema de amor

O mais belo poema de amor tem que levar o seu nome no título. Tem que ter o teu nome repetido a cada verso. Suas estrofes seriam o teu nome. O mais belo poema de amor é dito sempre que te chamam, Lorena. Ele é dito por bocas tantas que nem sabem o valor de tal poema.

O mais belo poema de amor nasce e morre a cada instante, mas jamais definha. O mais belo poema de amor morre mas não dorme, ele é vivo quando te chamam em sonhos, Lorena. O mais belo poema de amor tem todas as cores. O mais belo poema de amor é universal e de todo o canto é possível ouvi-lo. Todos os lábios desejam entoar o mais belo poema de amor. Todos os ouvidos anseiam escutar o mais belo poema de amor, Lorena.

Mas feliz é o poeta. Mais feliz é o poeta.
Pois dele é o mais belo poema de amor, Lorena. E é sendo o poeta guardião da poesia que ele percebe a grandeza do teu nome, Lorena. E não é só. O poeta enfim percebe que não é ele quem assina o nome embaixo do poema, mas sim é o teu nome, Lorena, que se assina sobre o dele.

E assim o poeta vê que durante todo esse tempo é o mais belo poema do mundo o seu dono, e não o contrário.

O mais belo poema do mundo és ti, Lorena. E eu o poeta que te quer assinada sobre ele para todo o sempre, tão eterno quanto os poemas de amor. Quanto o mais belo poema de amor, Lorena.

Roupa de fato

Essa responsabilidade clandestina
que deturpa os compromissos ...
Ah, mas como consegue tais ardis?
Despe o combinado e o traveste de ilusão,
reveste a fantasia e tira dela o seu condão.
Conto com roupa de fato
vira certeza, estática no retrato.
E se o fato está na foto quem poderá
negar que a roupa é realidade?
Verdade?
É sim. Fui eu que vi.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Astigmatismo e desvio de septo

Pois é ... estou com esses dois pequenos probleminhas, rs.

No olho direito tenho 0,50 e no esquerdo (!!!) 2,50 graus de astigmatismo. Vou ter que usar óculos. Mas, acredita que fiquei feliz? Sempre quis usar!!! Lembro-me do documentário Janela da Alma ... Em breve farei parte da comunidade daqueles que veem o mundo emoldurado!

E meu narizinho está torto ... Terei que fazer uma septoplastia. Devido ao meu desvio de septo ... Bem que eu desconfiava que minha respiração estava muito estranha ...

E se devo agradecer a alguém por me alertar que era hora de procurar um oftalmologista, esse alguém é James Cameron - diretor de Avatar. Sim, pois quando fui assistir o filme nos cinemas, em 3D, não vi terceira dimensão nenhuma pelo olho esquerdo. Se não fossem os Na'vi, talvez eu ainda sofreria das enxaquecas misteriosas!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Horizonte

Nem cabeça nas nuvens,
nem pés no chão ...
Sou mesmo é braços abertos para o horizonte.