domingo, 27 de dezembro de 2009

"Metarefrão Microtonal e Plurisemiótico"

Mandei um e-mail dark humor para alguns amigos e recebi de resposta algumas palavras de desapontamento. Bem, sou eclético quanto ao meu gosto musical e imaginei que, conhecendo-me, todos veriam que não passava de uma piada.
Não posso negar que esperava a resposta dessa amiga do jeitinho que ela me respondeu. Sabia que ela não gostaria da brincadeira (nem sei porque mandei pra ela, afinal) e até pensei em escrever no e-mail algumas explicações do porque lhe enviava aquilo. Pois bem, para mostrar que não tenho problemas com nenhum gênero musical - graças a deus! - deixo aqui no blog um trecho de uma entrevista do Tom Zé ao Jô que nos mostra um lado pouco analisado de um certo estilo da música carioca: o Funk.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Eucaristia

Na cama,
somos cobertos apenas pelo véu quasenegro
da pouca luz.

Nossos corpos nus,
numa famigerada dança,
faz coreografia de passos sujos
e gestos carnais.

Eu te tomo entre os meus lábios,
te mordo, e salivo ao bel-prazer
do teu sabor doce e molhado.

Tomai, todos, e comei:
isto é o meu Corpo
que será entregue por vós.

Como um vampiro, sedento de sangue,
quero sugar o que corre dentro de ti.
Como criança que brinca na lama,
quero me lambuzar na fonte do teu gozo,
me inundar nos teus gemidos
e me banhar no teu suor.

Tomai, todos, e bebei:
este é o cálice do meu Sangue,
o Sangue da nova e eterna aliança.

E todos os dias,
a cada furtiva sensação de torpor,
pense em mim e em nossos momentos de gritos e sussurros,
de pele e sentidos,
de instintos e pulsões.

Fazei isto em memória de Mim.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Meus pés sobre a escuridão

Pé ante pé,
saio pelas ruas à procura de minha sombra.
Mas é noite, e nem a lua
minha rua ilumina.

Como encontrar essa parte tão disforme e obscura de mim
se não tenho claridade para confrontar-me?
Terei que esperar amanhecer para encontrar a minha sombra?

Caminho sem saber por onde;
sem saber se onde piso é grama,
asfalto ou um rio onde correm as suas lágrimas.
Caminho e esbarro em meus medos.
Caminho e não me canso.
As pernas que me levam são minhas,
já acostumadas ao rumo dos segredos.

Ainda sem parar,
pé após pé,
vejo uma luz bem no fim do horizonte.
Não sei se é o fim do limbo,
o início de um paraíso,
ou a chama de um inferno anunciado.

A minha luz vai crescendo e tomando a via,
tomando as formas e me engolindo.
Sumo e na luz total ainda não tenho sombra.
Não me encontrava nas trevas
e agora me perdi na imensidão branca da luz.
Talvez não seja o externo, mas sim os meus olhos
que nunca tenham aprendido a enxergar além das maçãs.

Pés sobre pés:
estou num mar de homens.
Perdidos, cegos e
errantes.
Juntos, caminhamos pela via
(escura ou clara?) -
já não faz diferença.

Nosso caminho é o eterno perder-se.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Ainda não é 31de dezembro

"Você quer fazer cinema? Pegue uma câmera."
Godard

Sei que ainda não é tempo de fazer as promessas ou predileções para o ano que vai nascer. Mas, tenho pensado seriamente no ano de 2010. Fico pensando em como serão os dias desse ano tão redondo. Faço 20 anos logo em fevereiro. Será que eu estarei na universidade? Quais cursos farei nos próximos 365 dias?
Tenho lido. Bastante. E isso me excita à escrita. Minha avó paterna já me mostrou qual será o meu presente de natal: O Manual do Roteiro, de Syd Field. Estou terminando de ler "Conversas com Almodóvar". No início do ano eu terminava de ler "Conversas com Woody Allen". Há alguns meses li "O Clube do Filme" e "Cartas a uma Jovem Atriz". Cada vez mais, porém aos poucos, fui de vez aceitando minha condição de artista. Minha persona criadora e louca dominou-me de vez, mas ainda não dominou as rédeas das ações. Estou montado num cavalo que tem tudo para correr, mas não sabe levantar as patas do chão. Como Fernão Capelo Gaivota, que precisa voar cada vez mais alto, superar todas as suas próprias limitações, para enfim saber voar como sonha. (...) Não sei se estou sendo claro, mas quero dizer que agora que defini o que quero para mim não significa que tudo facilitou. Pelo contrário. Agora só posso culpar a mim.
Voltando à citação de Godard e às palavras de Almodóvar e Woody Allen, vejo que sou o único que pode me ajudar. E que eu preciso me ajudar. Principalmente botando para fora (o que ainda não sei como) a minha arte. Sou um ator. Isso eu sei. Sinto isso desde que me entendo por gente. O piano veio depois, mas mais como um hobby. As minhas poesias são filhos naturais. Não saberia não fazê-las. Mas, depois de tantas ideias abortadas, esquecidas e negligenciadas, não posso mais retirar-lhes o direito de existir. Em 2010 eu escrevo e realizo. Sem dúvidas. Não sei o quê, nem como. Mas farei um filme. Curta, longa, 35mm, em celular, não interessa. E aí também entra uma coisa que nunca pensei a priori, mas também nunca deixei de cogitar: dirigir.
Escrever e dirigir. Atuar e ser poeta. Tocar piano nas horas vagas, e, quem sabe, um dia escrever um musical. Não é megalomania, mas sinto-me um autor. E preciso expor a minha autoria. Preciso de uma obra para reconhecer-me e compreender-me. Preciso criar. Brincar de Deus talvez me fará mais humano.

Qual é a música?

O que será que eu estava cantando?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Todo o meu amor

Queria que todo o meu amor se expressasse num beijo.
Que meus lábios soassem como um hino,
que minha língua dançasse em tua honra.

Enfim,
que todo o meu amor se fizesse claro num beijo.
E assim, quem sabe,
eu possa a cada beijo ser mais fiel ao meu sentimento,
ser mais sensível ao teu amor,
e te amar mais a cada beijo.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Sexto Sentido

A luz toca a retina.
Íris, pupila,
globo ocular.
Explosão de cores.
Visão.

O odor toca a narina.
Septo. Cheiros
passeiam no ar.
Explosão de odores.
Olfato.

O gosto toca a língua.
Doce, salgado,
só não pode azedar.
Explosão de sabores.
Paladar.

O som toca o ouvido.
Tom, semitom e
os pássaros a cantar.
Explosão de tambores.
Audição.

O torpor toca pele.
Gelado, calor.
Vem me acariciar.
Explosão de tremores.
Tato.

Enfim o sexto sentido.
É este um sentido à parte,
ou a soma de todos ou outros?
Não posso responder.

E o gozo toca a alma.
Íris, narina, língua,
tom, semitom e calor.
Explosão de sentidos.
Implosão de recatos.
Fundi-se paladar, olfato e tato.
Soma-se visão e audição.
Resulta o mais forte,
o mais perigoso,
o mais real dos sentidos.
Fratura exposta na derme do desejo:
Tesão.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Em janeiro, "Avenida Q" de volta ao Rio!!!

Ao que tudo indica, o espetáculo Avenida Q volta aos palcos cariocas em janeiro de 2010. O musical deve retornar ao Teatro Clara Nunes no Shopping da Gávea.

Enquanto isso ... vamos voltar ao clima da Avenida Q!


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Impressão digital


A polícia chega cerca de 17 minutos após a chamada. Logo os oficiais passam aquela fita amarela em volta da casa. Sobem as escadas e, para os peritos, a cena deixa claro que o crime foi cometido entre às 21h e 22h do mesmo dia. É quase meia-noite agora e o detetive se aproxima do corpo. Um homem, por volta de 30 anos, altura mediana, moreno, está estirado na cama. O sangue que manchava a cama vinha de suas mãos - completamente sem dedos. Foram decepados, disse o detetive.
Alguns minutos depois as evidências são coletadas e levadas para análise. Ao lado do corpo foram encontrados um vestido, uma blusa branca (provavelmente da vítima) toda manchada de beijos vermelhos, alguns fios de cabelo comprido (provavelmente da dona do vestido) e um par de luvas. Os detetives tem a esperança de encontrar vestígios do assassino - seriam as luvas descuido ou afronta?
A casa está livre de pistas, nada leva ao criminoso, mas em compensação o corpo está coberto de impressões digitais. Todo, todo, todo coberto; da cabeças ao pés. (...) Na retirada do corpo, encontraram a carteira do falecido e uma carta embaixo do travesseiro. A carteira tinha dinheiro e os documentos, mas o seu documento de identidade tinha um buraco. Arrancaram a impressão digital do polegar da vítima. É claro que um fato desses faz rostos contorcerem em indagações. Indagações essas respondidas após a leitura da carta:

A quem encontrar essa carta que não se compadeça deste homem estirado sobre a cama. Este cafajeste roubou a minha vida. Me iludiu, disse que me amava e um dia me virou as costas para fugir com uma outra qualquer. Não se explicou e nem se despediu. Desde esse dia perdi a minha identidade. Vaguei sem rumo até descobrir que a vingança seria o meu único refúgio. Então juntei minhas poucas últimas forças e voltei até aqui, até a casa onde este homem me tomou como sua tantas e tantas vezes, para tentar reconstruir a minha identidade. Após matá-lo - e não descrevo tal manobra pois eu mesma não saberia dizê-la - me vi estúpida. De nada adiantou. Eu era ainda a mesma mulher sem rumo de antes. De depois dele. Então fiz a única vingança que ainda me era disponível. Dei a ele de mão beijada o que calhordamente já havia me roubado: a minha identidade. Enchi-o de impressões digitais minhas, enchi-o por todo o corpo. E para completar carreguei comigo a sua identidade. Não me bastavam os dedos. Não queria uma só lembrança de suas impressões.
Nem percam tempo me procurando. Uma mulher sem nome e sem identidade. Sem impressões, mas que ainda impressiona, não?
Gostaria de terminar essa carta com uma gargalhada. Pena que não fiquem bem no papel. Mas, ainda me resta uma última vingança. À meia-noite a casa explodirá e aí sim, nem saberão da minha existência e nada sobrará do canalha. Peço desculpas a vocês, mas na guerra (mesmo na guerra do amor) se perde inocentes.

Só deu tempo de todos olharem para os seus relógios de pulso, para o celular ou para o grande relógio acima da cama e verem os três ponteiros se alinharem no número XII.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Senhor da própria casa

Dou ordens,
e quem me escuta?
Serei eu vítima da minha autoridade?
Onde estão esses indolentes,
insolentes servidores?

Em minha casa quero respeito.
Quero ordem e ...
Mas, quem me escuta?
Estou eu falando sozinho?
Só eu e as paredes que há em mim.
Á minha volta, dentro de mim.

Atenção, atenção!
Ouçam todos!
Organizem a bagunça desta alma,
limpem a sujeira desta mente,
dêem sentido à essa vida.
Façam o que eu digo.
O que eu faço seria sinal de exemplo?
É em mim que o meu eu se espelha.

Ó, Senhor!
Tu que sois onipotente,
onipresente e
onisciente!
Tu que és e que isto a ti basta.
Ajuda-me com estes infelizes que não sabem
uma ordem acatar.
Sou Senhor em minha casa
mas nela não sei mandar.
Sou Senhor em minha casa
mas nela não sei me impor.
Sou Senhor em minha casa
e em minha própria casa não sei morar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Feliz Aniversário, Woody Allen


Hoje o velhinho mais jovem do cinema americano apaga 74 velinhas!

FELIZ ANIVERSÁRIO, WOODY ALLEN!

Depois de nos homenagear ...


Aqui vai a nossa homenagem, Woody querido!

Quem aqui também entraria no clube do Woody???

Frases do Woody:
  • As duas coisas mais importantes na vida são: primeiro o sexo e a segunda eu esqueci.
  • Não quero atingir a imortalidade através de meu trabalho. Quero atingi-la não morrendo.
  • Coerência é o fantasma das mentes pequenas.
  • Eu não costumo pensar em mulheres, a não ser quando estou respirando.
  • A tradição é a ilusão da permanência.
  • O dinheiro é melhor do que a pobreza, ainda que apenas por razões financeiras.
  • O sexo é a coisa mais divertida que se pode fazer sem rir.
  • O sexo sem amor é uma experiência vazia. Mas como experiência vazia é uma das melhores.
  • O dinheiro não dá a felicidade, mas tem uma sensação tão parecida, que precisa um especialista muito avançado para verificar a diferença.
  • Quando eu era pequeno, meus pais descobriram que eu tinha tendências masoquistas. Aí passaram a me bater todo dia, para ver se eu parava com aquilo.
  • Talento é sorte. A coisa importante na vida é ter coragem.
  • Talvez os poetas estejam certos. Talvez o amor seja a única resposta.
Woody nunca deu valor à prêmios ou cerimônias do gênero (para ele, nada mais do que festas políticas). O que ele sempre gostou foi de fazer a sua música, seus filmes e seguir a sua vida. Mas o que, segundo o próprio Mr. Allen, o impedia de comparecer à festa do Oscar era que no mesmo dia ele tinha um compromisso inadiável: tocar com a sua banda de jazz.





E quem venham mais aniversários, mais filmes, mais jazz ...

Dolores, Dolores, Maria das Dores

Criança travessa merece castigo.
Me pune, me pune.

Um dia tive poder -
me tiraram.
Puniram-me e
não sei o porquê.

De vingança, fiz um preparo
de raiva e fúria.
E tomei num só gole
em resposta ao desamparo.

Depois de beber a poção,
deixo de ser-me e
viro o grande Outro.
Agora, ocultada a angústia,
posso seguir com a vingança.

Vens para me penetrar com a tua lança.
E me lanças a mão antes de me laçar entre as pernas.
Me preenche com o teu domínio
e me fere com as tuas formas.
Estou aqui para isso.
Rompes o véu e
ultrapassas as minhas vísceras
chegando enfim ao meu prazer.

Com a dor que me resta
faço o gozo e um espelho.
Me vês como quero que me vejas.
Sou um corpo ou dois.
Sou eu e o outro.
Mas percebes somente o que permito.
Permuto as minhas faces,
mas não os meus vestígios.
Do fundo do meu grito
há horror e sofrimento.
Na base da minha lágrima
há um nu contentamento.

Se fiz assim foi porque quero,
quis e hei de repetir.
Minha vingança é só o início
e dependes de mim para existir.
Minha dor é tua algema,
teu desejo e tua lição.
Criança travessa merece castigo
e dei-me a clara punição.

sábado, 28 de novembro de 2009

Pluma, ninfa, bruma

Deitado vejo
a cortina da minha janela dançar.
O vento é o seu parceiro.
Nesta dança,
o vento faz a cortina revelar a janela.
Como num passo da coreografia -
em que, por acidente, o vestido da menina levanta
e desnuda suas intimidades - no esvoaçar na janela
meus desejos ficam nus.

Com a janela aberta e quase adormecido,
já estou sonhando.
Queria vê-la nua,
assim como o meu desejo.
Nua porque és o que desejo.
E virias com os cabelos dançando com o vento.
E virias lentamente, não como uma pluma,
mas como uma ninfa.
Ou como a bruma,
tão livre dos pecados que já não possui formas para se prender.
No meu sonho, doce em neblina,
dormiríamos juntos - abraçados
e de olhos abertos -
até a última gota de suor morrer cansada em nossos corpos.
Aí sim cerramos os olhos,
e ofegantes ainda,
deitamos e nos vemos.

Olho a janela e é você.
Lá vai você
embora com o vento.
Aumenta o calor no quarto,
a saudade no peito,
o peso nos olhos.

Durmo.
Sonho que estava deitado,
a cortina cai da janela,
mas não vai ao chão.
A cortina cobre um corpo lindo
- ora, é o seu corpo -
e deitas ao meu lado e
me cansas até o eu dormir
no sonho.

E dentro do sonho eu
sonho de novo,
e de novo,
e de novo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Despertar da Primavera

E o corpo mostrou o que já sabia.
O corpo escondia o segredo,
meu corpo escondia.
Agora revelou-me coisas que eu não sentia,
que já sentia,
mas não sabia.

O que corre em meu corpo não é mais só sangue nas veias.
o que corre em meu corpo
ocorre quando estás por perto,
mesmo que o perto seja só
perto do meu pensamento.

O meu corpo mostrou o que já sabia.
O meu corpo despertou o que em mim adormecia.
A natureza, viva e esperta,
ativa e, agora, desperta,
faz crescer em mim um grito
que não é som,
mas sim movimento.
Se estou vestido é para cobrir este movimento vertical
e nada silencioso.
Esse grito do meu corpo
que busca não o céu,
mas sim um refúgio.
Um refúgio, mas não para calar-se.
Um refúgio para ecoar-se.

Meu corpo agora sem vestes ou segredos
quer gemer e soluçar a libertação dos seus medos.
Meu corpo agora sem pudores ou vergonhas
que vestir-se somente com o seu suor.

Meu corpo quer esse canto explosivo.
Meu corpo quer dançar a dança original
na coreografia germinada da semente da maçã.

Quero morder o teu pecado
e beber o sumo do teu sacrilégio.
Vem comigo calar o Deus
que quer punir o desejo.
Vem comigo calar o homem
que quer calar o meu corpo,
o teu corpo
e outros corpos cansados de laços e botões.

Canta e entoa.
Grita e ecoa.
Faz barulho,
cria o som, a música
e o movimento
da melodia do prazer.
Quero viver o infinito desta canção da carne.

Faz calor entre os nossos umbigos e,
fora eles, quem sou eu
se não o teu próprio corpo?
Quem poderá dizer das quatro mãos que correm este novo ser,
uno e indivisível,
uno e inseparável,
uno e inevitável,
quem poderá dizer das quatro mãos qual o par
que a cada um pertence?
Nossas mãos colhem,
nos calos do segredo exposto,
as flores plantadas no Jardim do Éden.

Não importa o tempo.
Não importam as estações.
Sou imortal na primavera
do instante do grito de amor.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Toques

Carinhosa comigo.
É assim que se mostra a mão da mulher ao primeiro toque meu.

Temerosa comigo.
É assim que se mostra a figura da mulher ao segundo toque meu.

Ansiosa comigo.
É assim que se mostra a boca da mulher ao terceiro toque meu.

Enroscada comigo.
É assim que se mostra a perna da mulher ao quarto toque meu.

Preenchida comigo.
É assim que se mostra a vagina da mulher ao quinto toque meu.

Suada comigo.
É assim que se mostra a pele da mulher ao sexto toque meu.

Seis toques meus e a mulher foi minha naquele momento.
Então ela me beija e me fala coisas ao pé do ouvido.
Seu primeiro toque já me faz ninguém.
Seis toques para dominar aquela mulher por um tempo,
um beijo e sua palavra para me dominar para sempre.