terça-feira, 23 de junho de 2009

Senhor, piedade

Piedade, Senhor, daquela gente!
O vilarejo está em chamas.
Não há água que apague o fogo que lambe os lençóis daquela cama.

Piedade, Senhor, daquela jovem!
Alguém acuda a pobre moça que grita.
Sons que arrepiam quem ouve. Serão esses seus últimos suspiros?

Piedade, Senhor, daquele rapaz!
À sua volta, calor e fumaça. Ele corre, seu respirar é ofegante.
Estarão ele e a pobre moça com risco de vida?

Piedade, Senhor, são dois em fuga.
Ele encontra uma gruta, ela o guia.
Lá dentro parece local seguro, mas o rapaz logo vê que as chamas não cederam.
O local é um refúgio ou uma armadilha?

Piedade, Senhor, piedade.
A gruta é beco sem saída.
O rapaz não sabe pra onde ir. A jovem o ajuda.
Juntos eles se abrigam. Juntos eles escapam.

O fogo cessa lá fora.
Mas, na gruta ele recomeça.
O despertar das labaredas se refaz pelos mesmos que incendiaram o vilarejo.

Piedade, Senhor? Piedade?
Não os perdoe.
Eles sabem o que fazem.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Leda Victer - Vale a pena!

Imaginem ouvir um artista mostrando sua obra para você!
Pois foi o que aconteceu hoje comigo. Era como se Chopin tocasse uma valsa sua no piano em minha frente, como se Chico Buarque me mostrasse sua mais nova música em segredo, como se DaVinci descobrisse o quadro inacabado só para mim.
Após a aula de hoje, Leda me mostrou alguns de seus escritos. No início era apenas curiosidade pelos textos produzidos por uma amiga.
Ai, ai ... Textos? Escritos? Não. Obras-primas da delicadeza, do torpor, do incosciente produtivo.
Coisas lindíssimas, cheias de sentimento, de verdade, de entrega, de sensibilidade. Mas, não adianta enchê-los de elogios porque o suprasumo foi tê-los lido pela própria autora! Ouvir a verdadeira entonação que cada verso requeria na voz de quem os escreveu.
Esse post é em homenagem à Leda Victer. Uma amiga querida de quem acabo de descobrir-me fã!
Se não pude dizer-lhe nada no sarau particular foi porque estava sem palavras. Meus parabéns e muito obrigado!

sábado, 20 de junho de 2009

Losing My Mind

Essa canção, composta por Stephen Sondheim para o musical da Broadway "Follies", é de uma beleza ímpar - tanto na música quanto na letra.
Espero que apreciem esta linda interpretação de Marya Bravo no espetáculo "Lado a Lado com Sondheim", 2005, dirigido por Charles Möeller e Cláudio Botelho.

Losing My Mind
(Stephen Sondheim)

The sun comes up,
I think about you.
The coffee cup,
I think about you.
I want you so,
It's like I'm losing my mind.
The morning ends,
I think about you.
I talk to friends,
I think about you.
And do they know?
It's like I'm losing my mind.
All afternoon,
Doing every little chore,
The thought of you stays bright.
Sometimes I stand
In the middle of the floor,
Not going left,
Not going right.
I dim the lights
And think about you,
Spend sleepless nights
To think about you.
You said you loved me,
Or were you just being kind?
Or am I losing my mind?
I want you so,
It's like I'm losing my mind.
Does no one know?
It's like I'm losing my mind.
All afternoon,
Doing every little chore,
The thought of you stays bright.
Sometimes I stand
In the middle of the floor,
Not going left,
Not going right.
I dim the lights
And think about you,
Spend sleepless nights
To think about you.
You said you loved me,
Or were you just being kind!
Or am I losing my mind?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

West Side Story - ao piano

Este cara toca uma suíte com algumas canções deste magnífico musical composto pelo brilhante Leonard Berstein (e letra do único, incomparável, idolatrado, salve, salve! Stephen Sondheim).

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A saudade dói ...

Saudades ...
Uma coisa que todo mundo sente, mas só a gente soube dar nome.
Poucos dias que sejam, mesmo que horas, ou que sejam minutos. Cada momento sem ela é saudade.

Como eu não tenho competência para escrever algo que preste sobre um tema já tão bem trabalhado pelos nossos poetas, recorro, então, ao mestre da canção brasileira: Chico Buarque.

Fique com "Pedaço de Mim", nas vozes do próprio compositor e de Zizi Possi.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Not a Day Goes By

Essa belíssima canção, com letra e música de Stephen Sondheim, composta para o musical da Broadway "Merrily We Roll Along", é aqui interpretada pela única e incomparável Bernadette Peters.




Not a day goes by
Not a single day
But you're somewhere a part of my life
And it looks like you'll stay
As the days go by
I keep thinking when does it end
Where's the day I'll have started forgetting
But I just go on thinking and sweating
And cursing and crying
And turning and reaching
And waking and dying
And no, not a day goes by
Not a blessed day
But you're still somehow part of my life
And you won't go away
So there's hell to pay
And until I die
I'll die day after day after day
After day
After day after day after day
Til the days go by
Til the days go by
Til the days go by

sábado, 13 de junho de 2009

Dia dos namorados

12 de junho.
Quero trocar com você.

Trocar carinho.
Trocar abraço.
Trocar beijinho.
Trocar amasso.

Trocar presentes.
Trocar passado
pelo futuro (nosso futuro,
juntinhos).

Trocar, no duro,
a minha velha solidão
pela nova vida a dois.

Trocar o de sempre
pelo que vem depois.
Trocar o dia pela noite.
Trocar o sono pelo enrosco.

Trocar e destrocar.

Trocar a angústia da distância
pela paz da tua presença.
Trocar ideias - com licença ...
no escuro na sua cama.

Trocar o que você me leva
pelo que você me traz.
Trocar tudo,
mas a ti ... jamais.

Humilhação 03 - essa doeu ...


Esse é "O Voo do Besouro", de Rimsky-Korsakov. Essa garotinha não só humilhou como pisa em nossas cabeças com salto 15. Só para lembrar: essa é uma das músicas de mais difícil execução para os instrumentistas.

Mas, veja abaixo como ela fica num coral!!! É muito divertido!

Em breve estarei tocando ...



He's a Pirate, de Klaus Bedelt (da trilha sonora original de "Piratas do Caribe")

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Zeitgeist

Criança geopolítica observa o nascimento do homem novo, 1943 – Salvador Dalí

Atônito. Esta é a palavra.
Acabo de assistir "Zeitgeist" (2007). Um documentário obrigatório a todo ser humano deste planeta.
Ainda estou chocado, maravilhado, horrorizado demais para comentar ...
Em breve retornarei a ele a aos outros dois documentários ("Zeitgeist II: Addendum" e "End of Game") que continuam esse trabalho memorável e, mais do que tudo, necessariamente urgente!

Fica aqui um extrato desta obra primorosa que nos esclarece de modo perturbador a infeliz realidade de nossa sociedade.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Humilhação vol. 02



Agora uma outra menininha, só para humilhar, toca a Invenção nº 13, de J. S. Bach.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Zelig



Zelig (EUA - 1983)
Direção: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Mia Farrow

Duke Ellington - Stardust


Neste filme, um pseudo-documentário, Woody Allen nos mostra a bittersweet história de Leonard Zelig - O Camaleão.

Um homem aparentemente simples chama a atenção quando passa a se transformar naqueles que estão à sua volta. Como diz a personagem de sua pisiquiatra, Mia Farrow como a dra. Eudora Fletcher, Zelig possui um distúrbio típico daqueles que se anulam para agradar o outro. Ele sofre da necessidade de ser sempre bem-quisto. Sendo assim, Leonard Zelig se transforma, se mutaliza na aparência e nas ideias daquele (ou daqueles) que está (estão) a seu lado.

Apesar de ser claramente uma obra ficcional, Woody quis filmá-lo em forma de documentário retratando a época (anos 20) vivida pelo personagem título.
Mesmo sendo um filme com bastante humor, acredito que devamos analisá-lo com maior profundidade e nos perguntar: até que ponto somos nós mesmos? Respeitamos sempre a nossa personalidade? Ou será que, de vez em quando, nos tornamos o outro por facilidade, por interesse, por preguiça ou até mesmo - para fazer como Zelig - ser aceito pelo outro?

Fica aqui a indagação e a sugestão de um ótimo filme!
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A música ("Stardust") que coloquei acima não é da trilha sonora deste filme. Mas, como não achei nenhuma que fosse, pus essa que é muito boa e já fez parte da trilha de dois outros filmes do querido Woody.

Mania de você

Essa não precisa de introdução ou explicação.
Basta se deliciar ...

A flor dos meus vinte anos

Para os amantes das boas coisas da vida, nada como uma bela música francesa.
Deixo-nos então com Françoise Hardy e a linda canção "Ma jeunesse fout l'camp". Além da letra original, desta vez deixarei também a tradução. Vale a pena ouvir e conhecer a letra.



"Ma jeunesse fout l'camp
Tout au long d'un poème
Et d'une rime à l'autre
Elle va bras ballants
Ma jeunesse fout l'camp
A la morte fontaine
Et les coupeurs d'osier
Moissonnent mes vingt ans
Nous n'irons plus au bois
La chanson du poète
Le refrain de deux sous
Les vers de mirliton
Qu'on chantait en rêvant
Aux garçons de la fête
J'en oublie jusqu'au nom
J'en oublie jusqu'au nom
Nous n'irons plus au bois
Chercher la violette
La pluie tombe aujourd'hui
Qui efface nos pas
Les enfants ont pourtant
Des chansons plein la tête
Mais je ne les sais pas
Mais je ne les sais pas
Ma jeunesse fout l'camp
Sur un air de guitare
Elle sort de moi même
En silence à pas lents
Ma jeunesse fout l'camp
Elle a rompu l'amarre
Elle a dans ses cheveux
Les fleurs de mes vingt ans
Nous n'irons plus au bois
Voici venir l'automne
J'attendrai le printemps
En effeuillant l'ennui
Il ne reviendra plus
Et si mon cœur frissonne
C'est que descend la nuit
C'est que descend la nuit
Nous n'irons plus au bois
Nous n'irons plus ensemble
Ma jeunesse fout l'camp
Au rythme de tes pas
Si tu savais pourtant
Comme elle te ressemble
Mais tu ne le sais pas
Mais tu ne le sais pas"



"Minha juventude me escapa através dos poemas
De um verso a outro, balançando os braços
minha juventude me escapa na fonte seca
E os cortadores de vime desvastam meus vinte anos.

Não iremos mais às árvores da canção do poeta
O refrão de dois centavos, os versos bestas
cantando e sonhando com o rapaz da festa
Que eu esqueci até do nome, que eu esqueci até o nome

Não iremos mais aos campos procurar violetas
Hoje, a chuva cai, apagando nossas pegadas
As crianças, porém, têm a cabeça cheia de canções
Mas eu nem as conheço, mas eu não as conheço

Minha juventude me escapa em uma música de violão
Ela parte de mim mesmo em silêcio, a passos lento
Minha juventude me escapa. Ela rompe as amarras
E carrega nos cabelos a flor dos meus vinte anos

Não iremos mais aos bosques quando chegar o outono
Eu esperarei a primavera enquanto dissolvo as folhas dos problemas
Ele não voltará mais, e se meu coração estremecer
É porque está caindo a noite, é porque está caindo a noite.

Não iremos mais às árvores, não mais juntos
Minha juventude me escapa no ritmo de teus passos
Se você ao menos soubesse como ela se parece com você
Mas você não sabe, mas você nem sabe."

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Aquele que te espera

Acabo de deixá-la ler mais uma carta.
Carta , esta, que escrevi para aquela que amo.
Não. Não é quem pensas. Não.
Sei que quando lhe disse estar apaixonado por alguém descrevi essa garota incrível. Uma pessoa muito especial para mim e tudo o mais. Pena que não percebestes ... mas essa garota era você. Era, e ainda é.

Todas aquelas cartas foram escritas para você.
Ah, se soubesses o quanto eu te amo. O quanto queria dizer-te, olhando em teus olhos, aquelas palavras escritas para um alguém inexistente.
Pois, claramente, como poderia eu querer outra que não tu?

Passo dias pensando em você. Com nós dois. Juntos ...
Passo noites sonhando com você. Nós dois ... sozinhos.

Oh, Senhor! Dá-me coragem para gritar o nome dela. Para tê-la em meus braços. Para amá-la como nenhum outro poderia.

Mas, aí vem o medo ...
E se ela não me querer mais por perto? Se nem querer minha amizade?

Quero-te tanto! E te espero. Espero pelo dia que você vá me olhar, me enxergar, me ver e concluir que me ama. Será que esse dia chegará? É o que espero. Pois, cada vez que escrevo aquelas cartas, cada vez que conto passagens e momentos irreais com esse espectro criado por mim, esse espelho que queria que te refletisse ... cada vez que digo o nome dela, berro o seu dentro de mim.